Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2019
Qual das drogas abaixo não desencadeia bradicardia?
Anlodipino (diidropiridínico) → vasodilatação periférica → taquicardia reflexa; NÃO causa bradicardia.
O anlodipino é um bloqueador de canais de cálcio diidropiridínico que atua principalmente na musculatura lisa vascular, causando vasodilatação. Essa vasodilatação pode levar a uma taquicardia reflexa, e não bradicardia, diferenciando-o de outros anti-hipertensivos ou antiarrítmicos que deprimem a condução cardíaca.
A bradicardia é um efeito adverso comum de diversas classes de medicamentos cardiovasculares, mas é crucial entender as diferenças farmacológicas entre eles. O atenolol, um beta-bloqueador seletivo, age bloqueando os receptores beta-1 adrenérgicos no coração, diminuindo a frequência cardíaca e a contratilidade. A digoxina, um glicosídeo cardíaco, aumenta o tônus vagal e inibe a bomba de sódio-potássio, prolongando o período refratário do nó AV e diminuindo a frequência cardíaca. A amiodarona, um antiarrítmico de classe III, possui múltiplos efeitos, incluindo bloqueio dos canais de potássio, sódio e cálcio, além de propriedades beta-bloqueadoras, que podem levar à bradicardia. Em contraste, o anlodipino pertence à classe dos bloqueadores de canais de cálcio diidropiridínicos. Sua principal ação é a vasodilatação arterial periférica, que reduz a resistência vascular sistêmica e, consequentemente, a pressão arterial. Ao contrário dos não-diidropiridínicos (como verapamil e diltiazem), o anlodipino tem pouco ou nenhum efeito direto sobre a condução cardíaca ou a frequência do nó sinusal em doses terapêuticas. Na verdade, a vasodilatação periférica induzida pelo anlodipino pode, em alguns pacientes, desencadear uma taquicardia reflexa como mecanismo compensatório para manter a perfusão tecidual diante da queda da pressão arterial. Portanto, o anlodipino não só não causa bradicardia, como pode, em certas situações, aumentar a frequência cardíaca. Compreender essas distinções é fundamental para a prática clínica e para a segurança do paciente.
O anlodipino é um bloqueador de canais de cálcio diidropiridínico que age predominantemente nos vasos sanguíneos, causando vasodilatação periférica e reduzindo a resistência vascular, com pouco efeito direto sobre o coração.
A vasodilatação periférica induzida pelo anlodipino pode levar a uma queda na pressão arterial, que é percebida pelos barorreceptores, ativando o sistema nervoso simpático e resultando em um aumento reflexo da frequência cardíaca.
Beta-bloqueadores (como atenolol), digoxina (por aumento do tônus vagal e inibição da Na/K-ATPase) e amiodarona (por seus múltiplos efeitos nos canais iônicos e bloqueio beta-adrenérgico) são exemplos comuns de drogas que podem induzir bradicardia.
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