Bradicardia Fetal no Parto: Manejo Imediato e Conduta

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Primípara com pré-eclâmpsia grave, idade gestacional com 37 semanas, está em trabalho de parto. Pressão arterial 140x90 mmHg, frequência cardíaca materna 100 bpm. Tônus uterino normal, atividade uterina com 7 contrações em 10 minutos, com duração de 60 segundos. Batimentos cardíacos fetais 100 bpm. Toque vaginal com 7 cm de dilatação, colo 100% apagado, bolsa íntegra. Marque a opção que MELHOR representa a conduta obstétrica imediata:

Alternativas

  1. A) Decúbito lateral esquerdo, 500 ml de ringer lactato intravenoso em bolus, administração de terbutalina.
  2. B) Decúbito lateral esquerdo, amniotomia, ocitocina em dose baixa para organizar as contrações.
  3. C) Decúbito lateral esquerdo e cesariana de emergência.
  4. D) Decúbito lateral esquerdo, amniotomia e aplicação de fórceps.

Pérola Clínica

Bradicardia fetal + hiperestimulação uterina em pré-eclâmpsia grave → Decúbito lateral esquerdo, fluidos, terbutalina.

Resumo-Chave

A bradicardia fetal (BCF 100 bpm) associada à hiperatividade uterina (7 contrações em 10 minutos) indica sofrimento fetal agudo. A conduta imediata visa melhorar a oxigenação fetal e reduzir a atividade uterina, sendo a terbutalina um tocolítico eficaz para isso, juntamente com hidratação e mudança de decúbito.

Contexto Educacional

A bradicardia fetal durante o trabalho de parto é uma emergência obstétrica que exige reconhecimento e intervenção rápidos. Frequentemente, está associada à hipóxia fetal, que pode ser causada por hiperestimulação uterina, compressão do cordão umbilical ou insuficiência placentária, como em casos de pré-eclâmpsia grave. O manejo inicial visa reverter a hipóxia e melhorar o bem-estar fetal antes de considerar intervenções mais invasivas. O diagnóstico baseia-se na monitorização da frequência cardíaca fetal, que deve ser avaliada em conjunto com a atividade uterina. A identificação de padrões anormais, como a bradicardia persistente ou desacelerações tardias, é crucial. A fisiopatologia envolve a redução do fluxo sanguíneo para o feto, levando à diminuição da oferta de oxigênio e acúmulo de metabólitos ácidos. A rápida intervenção pode prevenir danos neurológicos ou óbito fetal. A conduta imediata inclui medidas de reanimação intrauterina: mudança de decúbito materno (preferencialmente lateral esquerdo), administração de oxigênio suplementar à mãe, hidratação venosa em bolus e, se houver hiperestimulação uterina, uso de tocolíticos como a terbutalina. A falha dessas medidas em reverter o quadro de sofrimento fetal agudo pode indicar a necessidade de parto de emergência, seja por via vaginal (se iminente) ou cesariana.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de sofrimento fetal agudo durante o trabalho de parto?

Os sinais incluem bradicardia fetal persistente (BCF < 110 bpm), taquicardia fetal sustentada (> 160 bpm), desacelerações tardias ou variáveis graves, e perda de variabilidade da frequência cardíaca fetal. A presença de mecônio no líquido amniótico também pode ser um sinal.

Por que a terbutalina é utilizada em casos de hiperestimulação uterina?

A terbutalina é um agonista beta-2 adrenérgico que atua relaxando a musculatura uterina, reduzindo a frequência e intensidade das contrações. Isso ajuda a diminuir a compressão dos vasos uteroplacentários, melhorando o fluxo sanguíneo e a oxigenação fetal.

Qual a importância do decúbito lateral esquerdo e da hidratação na bradicardia fetal?

O decúbito lateral esquerdo otimiza o fluxo sanguíneo uteroplacentário ao aliviar a compressão da veia cava inferior pelo útero gravídico. A hidratação intravenosa (ex: ringer lactato) melhora o volume intravascular materno e, consequentemente, a perfusão placentária, auxiliando na recuperação fetal.

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