Bradicardia Fetal no Parto: Manejo e Reanimação Intrauterina

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Gestante de 25 anos é atendida em uma maternidade no primeiro estágio da fase ativa de trabalho de parto. Seu pré-natal foi de risco habitual e ela está com 40 semanas de gestação. Durante a ausculta intermitente, é detectada uma frequência cardíaca fetal mantida de 100 bpm. Diante disso, é realizada cardiotocografia, que mostra parâmetros normais, exceto a linha de base em torno de 102 bpm por um período de 10 minutos. A paciente não apresenta outros sinais ou sintomas de complicações, e o restante do exame físico está dentro dos parâmetros esperados para a fase ativa do trabalho de parto. Diante desse quadro clínico, a conduta adequada é

Alternativas

  1. A) encaminhar a paciente para cesariana por se tratar de sofrimento fetal agudo.
  2. B) administrar ocitocina e acelerar a ultimação do parto por se tratar de sofrimento fetal agudo.
  3. C) iniciar tocolíticos para reduzir a atividade uterina e aguardar melhora espontânea da frequência cardíaca fetal.
  4. D) administrar oxigênio e mudar a posição da gestante, reavaliando a frequência cardíaca fetal após alguns minutos

Pérola Clínica

Bradicardia fetal leve/moderada (100-110 bpm) com variabilidade normal → Medidas de reanimação intrauterina (O2, decúbito).

Resumo-Chave

Uma frequência cardíaca fetal (FCF) de 100-102 bpm, embora seja bradicardia, é considerada leve a moderada. Com variabilidade normal e ausência de outros sinais de sofrimento fetal, a conduta inicial é a reanimação intrauterina com oxigênio materno e mudança de decúbito, visando melhorar a oxigenação fetal antes de considerar intervenções mais invasivas.

Contexto Educacional

A avaliação da frequência cardíaca fetal (FCF) é um componente crucial do monitoramento do bem-estar fetal durante o trabalho de parto, sendo realizada por ausculta intermitente ou cardiotocografia contínua. A bradicardia fetal, definida como uma FCF de linha de base abaixo de 110 batimentos por minuto (bpm) por pelo menos 10 minutos, pode ser um sinal de hipóxia fetal e, consequentemente, de sofrimento fetal. A importância clínica reside na necessidade de diferenciar bradicardias benignas de condições que exigem intervenção imediata para prevenir danos neurológicos ou óbito fetal. A fisiopatologia da bradicardia fetal pode estar relacionada a diversas causas, incluindo compressão do cordão umbilical, hipóxia fetal, hipotensão materna, hiperestimulação uterina, descolamento prematuro de placenta ou anomalias cardíacas fetais. A cardiotocografia permite avaliar não apenas a linha de base da FCF, mas também a variabilidade, a presença de acelerações e desacelerações, que são parâmetros essenciais para determinar o grau de bem-estar fetal. No caso apresentado, a bradicardia é leve (100-102 bpm) e os "demais parâmetros normais" sugerem variabilidade preservada, o que é um bom sinal. Diante de uma bradicardia fetal leve a moderada, especialmente com variabilidade preservada, a conduta inicial é a reanimação intrauterina. Esta envolve medidas conservadoras como a mudança de decúbito materno (para otimizar o fluxo sanguíneo uteroplacentário), administração de oxigênio suplementar à mãe (para aumentar a oxigenação fetal) e hidratação intravenosa. A reavaliação da FCF após alguns minutos é fundamental para observar a resposta às intervenções. Somente se a bradicardia persistir ou piorar, ou se outros sinais de sofrimento fetal surgirem, deve-se considerar a aceleração do parto ou a cesariana.

Perguntas Frequentes

O que é considerado bradicardia fetal no trabalho de parto?

Bradicardia fetal é definida como uma FCF de linha de base abaixo de 110 bpm por um período de 10 minutos ou mais.

Quais são as medidas de reanimação intrauterina para bradicardia fetal?

As medidas incluem mudança de decúbito materno (geralmente para o lado esquerdo), administração de oxigênio suplementar à mãe, hidratação intravenosa e, se houver hiperestimulação uterina, redução ou suspensão de ocitocina.

Quando a bradicardia fetal indica sofrimento fetal agudo grave e necessidade de cesariana?

Bradicardia fetal grave (FCF < 100 bpm, especialmente < 80 bpm), prolongada, associada a perda de variabilidade, desacelerações tardias ou ausência de acelerações, e que não responde às medidas de reanimação intrauterina, pode indicar sofrimento fetal agudo e exigir parto imediato.

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