Arritmias Cardíacas em Pediatria: Sinais e Manejo

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Com relação às arritmias cardíacas em Pediatria, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A taquicardia ventricular tem início geralmente abrupto, exceto em lactentes, que apresentam irritabilidade, inapetência e dispneia enquanto evoluem para insuficiência cardíaca congestiva.
  2. B) O paciente com bloqueio atrioventricular deve ser submetido diretamente à cardioversão elétrica sincronizada ou à cardioversão química com adenosina, o que for mais rápido na situação.
  3. C) A taquicardia sinusal é definida como frequência cardíaca maior do que 220 bpm no lactente e maior do que 180 bpm nas crianças maiores, com complexo QRS estreito e ausência de onda P.
  4. D) Os sinais clínicos associados à bradiarritmia podem ser choque com hipotensão, perfusão ineficiente de órgão- alvo, alteração do nível de consciência ou colapso súbito.

Pérola Clínica

Bradiarritmia instável → choque, hipotensão, alteração consciência. Taquicardia sinusal tem onda P.

Resumo-Chave

As bradiarritmias em pediatria são preocupantes quando causam instabilidade hemodinâmica, manifestada por sinais de choque. É crucial diferenciar taquicardia sinusal (com onda P) de taquicardias supraventriculares (sem onda P ou com P alterada) e saber que adenosina é para taquiarritmias de QRS estreito, não para bloqueio AV.

Contexto Educacional

As arritmias cardíacas em pediatria representam um desafio diagnóstico e terapêutico, exigindo conhecimento específico devido às diferenças fisiológicas e etiológicas em relação aos adultos. É fundamental que residentes saibam reconhecer os diferentes tipos de arritmias e, mais importante, identificar os sinais de instabilidade hemodinâmica que demandam intervenção imediata. A bradiarritmia, por exemplo, pode ser fisiológica em atletas ou durante o sono, mas quando associada a choque, hipotensão, alteração do nível de consciência ou perfusão inadequada, é uma emergência médica. A taquicardia sinusal é a arritmia mais comum em crianças e é uma resposta fisiológica a estresse, febre, dor, hipovolemia ou anemia. Ela se diferencia de outras taquiarritmias pela presença de ondas P normais e pela variabilidade da frequência cardíaca. Já a taquicardia ventricular, embora menos comum, é potencialmente grave e pode levar rapidamente à insuficiência cardíaca em lactentes, que podem apresentar sintomas inespecíficos como irritabilidade e inapetência. O manejo das arritmias pediátricas deve seguir algoritmos específicos, como os do PALS (Pediatric Advanced Life Support). Para taquiarritmias instáveis, a cardioversão elétrica sincronizada é a conduta de escolha. Para taquicardias supraventriculares estáveis, a adenosina pode ser utilizada. No caso de bradiarritmias instáveis, a prioridade é o suporte ventilatório e circulatório, podendo ser necessário o uso de medicamentos como atropina ou epinefrina, e em alguns casos, marca-passo. É crucial evitar o uso de adenosina em bloqueios atrioventriculares, pois pode piorar a bradicardia.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de instabilidade hemodinâmica em uma criança com bradiarritmia?

Os sinais de instabilidade incluem hipotensão, perfusão ineficiente de órgãos-alvo (tempo de enchimento capilar prolongado, pele marmórea), alteração do nível de consciência, irritabilidade extrema em lactentes, dificuldade respiratória e colapso súbito. A presença desses sinais indica a necessidade de intervenção imediata.

Como diferenciar taquicardia sinusal de taquicardia supraventricular (TSV) em crianças?

A taquicardia sinusal apresenta onda P antes de cada complexo QRS, com intervalo PR normal, e a frequência cardíaca varia com o estímulo (febre, dor, choro). A TSV geralmente tem início e término abruptos, frequência cardíaca muito alta e fixa para a idade, e a onda P pode estar ausente, invertida ou escondida no QRS.

Qual é o tratamento inicial para um bloqueio atrioventricular (BAV) em pediatria?

O tratamento do BAV depende da sua estabilidade. BAV de primeiro e segundo grau tipo I geralmente não requerem tratamento agudo. BAV de segundo grau tipo II ou BAV total que causam instabilidade hemodinâmica podem necessitar de atropina (se o BAV for acima do nó AV), epinefrina, e frequentemente marca-passo transcutâneo ou transvenoso. Adenosina é contraindicada para BAV.

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