CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2022
A sequência ilustrada nas figuras A, B e C abaixo representa:
Pálpebra fecha → Músculo orbicular contrai → Saco lacrimal expande (vácuo) → Lágrima entra.
A drenagem lacrimal não é apenas passiva por gravidade; ela depende de um mecanismo ativo de bomba muscular gerado pelo fechamento palpebral e pela contração das fibras do músculo orbicular.
A fisiologia lacrimal é dividida em produção, distribuição e excreção. A excreção depende da integridade anatômica dos pontos, canalículos, saco lacrimal e ducto nasolacrimal, mas também da integridade funcional da bomba lacrimal. Alterações na dinâmica palpebral, como ectrópio, entrópio ou frouxidão palpebral senil, frequentemente resultam em epífora por falência da bomba lacrimal, mesmo que a via esteja anatomicamente pérvia à sondagem. O entendimento deste mecanismo é crucial para o diagnóstico diferencial entre obstruções mecânicas e funcionais das vias lacrimais.
O mecanismo de bomba lacrimal é um processo dinâmico. Quando as pálpebras se fecham, a porção pré-septal e pré-tarsal do músculo orbicular se contrai. Isso causa uma pressão negativa no saco lacrimal (ele se expande) e, simultaneamente, os pontos lacrimais se fecham e se movem medialmente. Essa pressão negativa 'aspira' a lágrima dos canalículos para o saco lacrimal. Quando as pálpebras se abrem, o músculo relaxa, o saco lacrimal colapsa por elasticidade, e a lágrima é empurrada em direção ao ducto nasolacrimal, enquanto os pontos se reabrem para coletar nova lágrima.
O músculo orbicular dos olhos, especialmente suas fibras profundas (músculo de Horner ou pars lacrimalis), é o motor da bomba lacrimal. Ele está intimamente ligado às fáscias do saco lacrimal e aos canalículos. Sua contração rítmica durante o piscar involuntário garante que a lágrima seja constantemente bombeada para fora da superfície ocular. Pacientes com paralisia facial (paralisia do VII par) perdem esse mecanismo, resultando em epífora (lacrimejamento excessivo) mesmo sem obstrução anatômica da via.
Embora a questão trate da bomba fisiológica, os testes de Jones avaliam sua patologia. O Jones I (teste primário) consiste em instilar fluoresceína no saco conjuntival e verificar se ela chega ao meato inferior do nariz espontaneamente após 5 minutos; se positivo, a via está patente. O Jones II (teste secundário) é realizado se o Jones I for negativo: lava-se a via lacrimal com soro. Se o soro sair com fluoresceína, o sistema coletor (pontos/canalículos) funcionou, mas houve falha na drenagem distal ou funcional (bomba).
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