UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 86 anos, com história de palpitações, dispneia, tremor de extremidades e perda de peso, tem DM2 e cardiopatia hipertensiva. Ao exame físico, apresenta tireoide discretamente aumentada, multinodular, sem linfadenopatias. O T4 livre estava aumentado e o TSH US suprimido. Os níveis de T3 estão maiores do que os de T4. A cintilografia da tireoide mostra hipercaptação em sete áreas em ambos os lobos da tireoide, e hipocaptação no restante da glândula. Nesse caso, a conduta mais adequada é iniciar:
Bócio Multinodular Tóxico → Metimazol para eutireoidismo + Iodo Radioativo (I-131) como tratamento definitivo.
Em idosos com cardiopatia e bócio multinodular tóxico, o controle adrenérgico e a normalização hormonal prévia são essenciais antes da terapia definitiva com radioiodo.
O bócio multinodular tóxico (BMT) é a segunda causa mais comum de hipertireoidismo, sendo prevalente em idosos e em áreas de deficiência de iodo. Diferente da Doença de Graves, o BMT não apresenta remissão espontânea com drogas antitireoidianas, exigindo tratamento definitivo (cirurgia ou radioiodo). No caso clínico apresentado, a cintilografia com áreas de hipercaptação e hipocaptação confirma a autonomia nodular. O manejo deve ser cauteloso devido à idade avançada e comorbidades cardíacas, priorizando a estabilização clínica com betabloqueadores e tionamidas antes da ablação com iodo-131.
O uso de tionamidas (como o metimazol) visa alcançar o eutireoidismo antes do tratamento definitivo. Em idosos e cardiopatas, isso previne a exacerbação da tireotoxicose (tempestade tireoidiana) que pode ocorrer após a liberação de hormônios pré-formados causada pela radiação do I-131.
O propranolol é um betabloqueador não seletivo utilizado para controlar os sintomas adrenérgicos do hipertireoidismo, como palpitações, tremores e taquicardia, além de inibir parcialmente a conversão periférica de T4 em T3.
O iodo radioativo é o tratamento de escolha para o bócio multinodular tóxico, especialmente em pacientes com risco cirúrgico elevado ou que preferem evitar a cirurgia. Ele reduz o volume do bócio e trata a autonomia funcional dos nódulos hipercaptantes.
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