HSL/Sírio - Hospital Sírio-Libanês (SP) — Prova 2025
Atenção: Considere o caso clinico abaixo para responder a questão.Mulher, de 28 anos de idade, comparece ao ambulatório de clínica médica se queixando de nervosismo, palpitação, dificuldade para dormir, sensação de calor e sudorese excessivas e perda de 6 kg nos últimos 2 meses, apesar de ter notado um aumento no seu apetite. Não tem nenhuma comorbidade prévia e faz uso apenas de anticoncepcional oral (levonorgestrel 0,15 mg + etinilestradiol 0,03 mg). Adicionalmente, pratica musculação e corrida todos os dias da semana, fazendo suplementação de proteína (whey), creatina e BCCA. Ao exame, apresenta FC: 98 bpm, PA: 146 x 88 mmHg e tireoide de dimensões levemente aumentadas, heterogênea, fibroelastica, indolor à palpação e sem sopros à ausculta. Sem outras alterações. A cintilografia de tireoide evidenciou aumento heterogêneo na captação do radiomarcador, com múltiplas áreas de hipercaptação alternadas com áreas de hipocaptação na tireoide. Os exames laboratoriais evidenciaram:O diagnóstico mais provável para o quadro apresentado pela paciente é:
Hipertireoidismo + bócio heterogêneo + cintilografia com áreas de hiper/hipocaptação → Bócio Multinodular Tóxico.
O bócio multinodular tóxico é uma causa comum de hipertireoidismo, especialmente em idosos, caracterizado por múltiplos nódulos que produzem hormônios de forma autônoma. A cintilografia com áreas de captação heterogênea é crucial para o diagnóstico diferencial com Doença de Graves (captação difusa e homogênea).
O hipertireoidismo é uma síndrome clínica resultante do excesso de hormônios tireoidianos, com diversas etiologias. O bócio multinodular tóxico (BMT) é uma das causas mais comuns, especialmente em regiões com deficiência de iodo e em pacientes mais velhos. Caracteriza-se pela presença de múltiplos nódulos tireoidianos que, ao longo do tempo, desenvolvem autonomia funcional, produzindo hormônios em excesso independentemente do estímulo do TSH. O diagnóstico do BMT baseia-se na clínica de hipertireoidismo, na palpação de um bócio multinodular e, crucialmente, nos exames laboratoriais (TSH suprimido, T4 livre elevado) e de imagem. A cintilografia de tireoide é fundamental para o diagnóstico diferencial, pois revela um padrão heterogêneo de captação, com áreas de hipercaptação nos nódulos autônomos e áreas de hipocaptação no tecido circundante suprimido. Isso o distingue da Doença de Graves, que apresenta captação difusa e homogênea. Para residentes, é vital saber diferenciar as causas de hipertireoidismo, pois o tratamento e o prognóstico variam. A história clínica, exame físico e, principalmente, a interpretação correta da cintilografia são habilidades essenciais. O tratamento do BMT pode incluir drogas antitireoidianas, iodo radioativo ou cirurgia, dependendo das características do paciente e do bócio.
Os sintomas são os clássicos do hipertireoidismo: nervosismo, palpitações, insônia, perda de peso com aumento do apetite, intolerância ao calor, sudorese excessiva e, frequentemente, a presença de um bócio palpável.
A cintilografia de tireoide no bócio multinodular tóxico mostra um aumento heterogêneo na captação do radiomarcador, com múltiplas áreas de hipercaptação (nódulos autônomos) alternadas com áreas de hipocaptação (tecido tireoidiano suprimido).
Na Doença de Graves, a cintilografia tipicamente mostra uma captação difusa e homogênea de todo o parênquima tireoidiano. No bócio multinodular tóxico, a captação é heterogênea, com múltiplos focos de hipercaptação correspondendo aos nódulos autônomos.
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