UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2023
Mulher, 76 anos de idade, apresenta na radiografia de tórax um alargamento do mediastino antero superior com desvio da traqueia para lado direito. Exame físico: BEG e eupneica. Ausculta pulmonar: observa-se MV + bilateralmente sem RA. Ausculta cardíaca: bulhas rítmicas, normofonéticas e sem sopros. Frequência cardíaca: 72 bpm. O abdome encontra-se globoso à inspeção, flácido, indolor e sem visceromegalias à palpação. Qual é a hipótese diagnóstica?
Mulher > 60a + alargamento mediastino anterossuperior + desvio traqueia → Bócio intratorácico.
O bócio intratorácico é uma causa comum de massa mediastinal em idosos, especialmente mulheres. A compressão traqueal e o alargamento do mediastino anterossuperior na radiografia são achados típicos que sugerem essa hipótese diagnóstica.
O bócio intratorácico, também conhecido como bócio mergulhante, é uma condição em que a glândula tireoide se estende para o mediastino, geralmente o compartimento anterossuperior. É mais comum em mulheres idosas e pode ser assintomático por longos períodos, sendo frequentemente descoberto incidentalmente em exames de imagem. Sua importância clínica reside na possibilidade de compressão de estruturas mediastinais vitais. O diagnóstico é frequentemente suspeitado por achados em radiografias de tórax, como alargamento do mediastino anterossuperior e desvio da traqueia. A tomografia computadorizada (TC) de tórax com contraste é o exame de escolha para confirmar a natureza tireoidiana da massa, avaliar sua extensão e a relação com estruturas adjacentes, como a traqueia e vasos sanguíneos. É crucial diferenciar de outras massas mediastinais, como timomas, linfomas e teratomas, que possuem prognósticos e tratamentos distintos. O tratamento do bócio intratorácico é geralmente cirúrgico (tireoidectomia), especialmente se houver sintomas compressivos, crescimento rápido ou suspeita de malignidade. Mesmo em casos assintomáticos, a cirurgia pode ser indicada devido ao risco de complicações futuras e dificuldade técnica crescente com o tempo. O manejo pré-operatório inclui avaliação da função tireoidiana e das vias aéreas.
Os sinais incluem alargamento do mediastino anterossuperior, desvio da traqueia e, por vezes, calcificações. A massa geralmente se estende do pescoço para o tórax.
A história clínica, idade avançada, ausência de sintomas compressivos graves e a localização anterossuperior são sugestivos. A TC de tórax com contraste é fundamental para confirmar a origem tireoidiana.
O desvio traqueal indica compressão da via aérea pelo bócio, que pode ser assintomática ou causar dispneia e estridor, dependendo do grau de obstrução.
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