UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2023
Paciente masculino, 60 anos, tem PA = 140x85 mmHg e pesa 98 kg. Relata que não está se sentindo bem, seu ECG não tem onda P, com FC = 44 bpm e os complexos QRS ocorrem regularmente. Qual o diagnóstico para essa condição?
ECG sem onda P + FC baixa + QRS regular = Bloqueio SA 3º grau ou ritmo de escape juncional/ventricular.
Um ECG sem onda P, com bradicardia e QRS regulares, sugere uma falha completa do nó sinusal. Nesse cenário, o coração depende de um ritmo de escape (juncional ou ventricular) para manter a atividade elétrica, caracterizando um bloqueio sinoatrial de terceiro grau.
O bloqueio sinoatrial (BSA) de terceiro grau, também conhecido como parada sinusal prolongada ou falha completa do nó sinusal, é uma bradiarritmia grave caracterizada pela ausência total de atividade elétrica do nó sinusal. Isso significa que o nó sinusal não consegue gerar impulsos ou que esses impulsos não são transmitidos aos átrios, resultando em uma pausa prolongada na atividade atrial. No eletrocardiograma (ECG), o achado mais marcante do BSA de terceiro grau é a ausência de ondas P sinusais. A atividade cardíaca é então mantida por um ritmo de escape, que pode ser juncional (com QRS estreito) ou ventricular (com QRS largo), resultando em bradicardia e um ritmo geralmente regular. A frequência cardíaca é tipicamente muito baixa, como os 44 bpm descritos no caso. O diagnóstico é crucial, pois pacientes com BSA de terceiro grau frequentemente são sintomáticos (fadiga, síncope, tontura) e necessitam de intervenção. O tratamento definitivo geralmente envolve o implante de um marcapasso cardíaco permanente, uma vez que a falha completa do nó sinusal compromete severamente a capacidade do coração de manter um débito cardíaco adequado. A compreensão detalhada dessas bradiarritmias é essencial para residentes em cardiologia e clínica médica.
No bloqueio sinoatrial de terceiro grau, não há ondas P sinusais visíveis, e o ritmo cardíaco é mantido por um foco de escape (juncional ou ventricular), resultando em bradicardia com QRS regulares.
No bloqueio sinoatrial total, o nó sinusal falha completamente, não gerando ondas P. No BAV total, as ondas P estão presentes, mas não há condução para os ventrículos, que são ativados por um ritmo de escape ventricular.
A conduta inicial para um paciente sintomático com bloqueio sinoatrial de terceiro grau envolve a estabilização hemodinâmica, podendo incluir atropina (se houver resposta), marcapasso transcutâneo ou transvenoso temporário, e avaliação para implante de marcapasso definitivo.
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