Bloqueio de Fase II do Suxametônio: Características e Manejo

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Sobre o bloqueio de fase Il do suxametônio, sabe-se que:

Alternativas

  1. A) apresenta fadiga e facilitação pós-tetânica
  2. B) o uso de anticolinesterásicos está proscrito para reversão do bloqueio.
  3. C) pode acelerar recuperação do bloqueio.
  4. D) é comum de ocorrer com o uso de doses únicas de 1 mg/Kg de succinilcolina.

Pérola Clínica

Bloqueio de fase II suxametônio → fadiga e facilitação pós-tetânica, semelhante a bloqueio não-despolarizante.

Resumo-Chave

O bloqueio de fase II do suxametônio (succinilcolina) ocorre após doses repetidas ou infusão prolongada, quando a membrana pós-sináptica se repolariza, mas os receptores nicotínicos permanecem dessensibilizados. Clinicamente, ele se assemelha a um bloqueio não-despolarizante, apresentando fadiga no trem-de-quatro (TOF) e facilitação pós-tetânica, e sua reversão com anticolinesterásicos é contraindicada ou ineficaz, podendo prolongar o bloqueio.

Contexto Educacional

O suxametônio (succinilcolina) é um bloqueador neuromuscular despolarizante de ação ultracurta, amplamente utilizado em anestesia para intubação traqueal rápida. Sua ação inicial, conhecida como bloqueio de fase I, é caracterizada por despolarização persistente da placa motora, sem fadiga no trem-de-quatro (TOF) e ausência de facilitação pós-tetânica. No entanto, em certas condições, pode evoluir para um bloqueio de fase II. O bloqueio de fase II, ou bloqueio de dessensibilização, ocorre quando o suxametônio é administrado em doses elevadas, repetidas ou por infusão prolongada. Nesse estágio, a membrana pós-sináptica se repolariza, mas os receptores nicotínicos permanecem dessensibilizados e não respondem à acetilcolina. Clinicamente e na monitorização neuromuscular, o bloqueio de fase II assemelha-se a um bloqueio não-despolarizante, apresentando fadiga no TOF e facilitação pós-tetânica. O manejo do bloqueio de fase II difere significativamente do bloqueio de fase I. Enquanto o bloqueio de fase I não é reversível por anticolinesterásicos, o bloqueio de fase II também não deve ser revertido com esses agentes, pois eles podem prolongar a duração do bloqueio ao inibir a pseudocolinesterase plasmática, responsável pela metabolização do suxametônio. O tratamento consiste em suporte ventilatório até a recuperação espontânea da função neuromuscular.

Perguntas Frequentes

Quais são as características do bloqueio de fase II do suxametônio na monitorização neuromuscular?

O bloqueio de fase II, também conhecido como bloqueio de dessensibilização, apresenta características semelhantes a um bloqueio não-despolarizante: diminuição da amplitude das respostas ao trem-de-quatro (TOF) com fadiga (diminuição progressiva da altura das contrações) e presença de facilitação pós-tetânica.

Por que o uso de anticolinesterásicos é contraindicado ou ineficaz no bloqueio de fase II do suxametônio?

Anticolinesterásicos inibem a acetilcolinesterase na junção neuromuscular e a pseudocolinesterase plasmática. No bloqueio de fase II, a membrana já está repolarizada, mas os receptores dessensibilizados. A inibição da pseudocolinesterase prolongaria a ação do suxametônio, piorando o bloqueio, e a inibição da acetilcolinesterase não reverteria a dessensibilização dos receptores.

Quando o bloqueio de fase II do suxametônio é mais provável de ocorrer?

O bloqueio de fase II é mais provável de ocorrer após a administração de doses elevadas ou repetidas de suxametônio (succinilcolina), ou durante infusões prolongadas. Embora incomum com doses únicas padrão (1 mg/kg), pode ser visto em pacientes com deficiência de pseudocolinesterase ou em certas condições clínicas.

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