Glaucoma Maligno (Bloqueio Ciliar): Diagnóstico e Conduta

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Um paciente é submetido à cirurgia combinada de glaucoma (trabeculectomia) e catarata (facoemulsificação com implante de lente intraocular). No primeiro pós-operatório o paciente apresenta pressão intraocular de 53 mmHg, com câmara anterior muito rasa, mas sem toque da lente na córnea. Qual é o diagnóstico mais provável e conduta?

Alternativas

  1. A) Vazamento de humor aquoso pela ferida cirúrgica (indicado pela câmara anterior rasa), o qual deve ser tratado por nova sutura da ferida cirúrgica, sob anestesia tópica
  2. B) Quadro de hiperfiltração (indicado pela câmara anterior rasa), que deve ser tratado com sutura de contenção sobre a ampola filtrante
  3. C) Descolamento seroso de coroide, que deve ser tratado pela drenagem de coroide e preenchimento da câmara anterior com viscoelástico
  4. D) Bloqueio ciliar (mau direcionamento do humor aquoso), cujo tratamento inclui atropina tópica, hiperosmótico endovenoso e capsulotomia, mais hialoidectomia anterior com Yag-laser

Pérola Clínica

PIO ↑↑ + Câmara rasa + Pós-op imediato glaucoma/catarata = Bloqueio Ciliar (Glaucoma Maligno).

Resumo-Chave

O bloqueio ciliar ocorre pelo desvio do aquoso para o vítreo, empurrando o cristalino/LIO para frente; o tratamento exige cicloplegia, hiperosmóticos e quebra da hialoide.

Contexto Educacional

O bloqueio ciliar, ou glaucoma maligno, é uma complicação temida e desafiadora. Diferencia-se da hiperfiltração e do Seidel pela PIO elevada (53 mmHg no caso). O mecanismo envolve uma alteração na permeabilidade da hialoide anterior, represando o aquoso no vítreo. O tratamento medicamentoso inicial inclui atropina 1%, supressores do aquoso e agentes hiperosmóticos (Manitol) para reduzir o volume vítreo. Se falhar, procedimentos a laser ou vitrectomia via pars plana são necessários.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade diagnóstica do bloqueio ciliar?

A tríade clássica consiste em: 1) Pressão intraocular (PIO) elevada; 2) Câmara anterior uniformemente rasa ou colabada; 3) Ausência de descolamento de coroide ou hemorragia expulsiva ao exame clínico ou ultrassonográfico. Ocorre tipicamente após cirurgias intraoculares em olhos predispostos (ângulo estreito).

Por que usar atropina no glaucoma maligno?

A atropina é um cicloplégico forte que causa o relaxamento do músculo ciliar. Isso promove o deslocamento posterior do cristalino (ou da lente intraocular) e do corpo ciliar, ajudando a aprofundar a câmara anterior e a romper o ciclo de mau direcionamento do humor aquoso para o segmento posterior.

Qual o papel do YAG laser no tratamento?

O YAG laser é utilizado para realizar a capsulotomia posterior e a hialoidectomia anterior. O objetivo é criar uma comunicação direta entre o vítreo e a câmara anterior, permitindo que o humor aquoso retido no vítreo flua de volta para o segmento anterior, normalizando a dinâmica de fluidos e a PIO.

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