Bloqueio Atrioventricular Total Fetal: Causas e Manejo

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente com 38 semanas de gestação, sem acompanhamento pré-natal, foi trazida à Emergência Obstétrica por sinais de trabalho de parto em evolução. A cardiotocografia revelou frequência cardíaca de 60 bpm, sem outras manifestações. A ultrassonografia obstétrica à beira do leito mostrou um bebê bem desenvolvido, sem sinais de alarme. Devido à bradicardia, foi indicada interrupção do parto, sendo o recém-nascido atendido na Sala de Parto. À exceção da frequência cardíaca baixa, o exame clínico foi normal, com escore de Apgar 9/9. O eletrocardiograma demonstrou bloqueio atrioventricular total. Sobre esse bloqueio de apresentação fetal e neonatal, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Bradicardia fetal persistente não justifica a investigação de bloqueio atrioventricular ao nascimento.
  2. B) É pouco frequente que a primeira manifestação de lúpus, artrite reumatoide, síndrome de Sjögren ou esclerose múltipla na gestação esteja relacionada ao diagnóstico de um bloqueio atrioventricular ainda durante a vida fetal.
  3. C) Hidropsia fetal é incomum nas formas graves, não sendo um marcador de mau prognóstico.
  4. D) Pode ocorrer sem lesões cardíacas estruturais associadas, sendo usualmente secundário à presença de colagenose materna, com ou sem expressão clínica.

Pérola Clínica

BAVT fetal/neonatal: frequentemente associado a colagenose materna (anti-Ro/SSA, anti-La/SSB), mesmo sem sintomas maternos.

Resumo-Chave

O Bloqueio Atrioventricular Total congênito é uma condição grave que, mesmo na ausência de cardiopatias estruturais, está fortemente associado à presença de anticorpos maternos anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, característicos de doenças autoimunes como o lúpus, que podem ser clinicamente silenciosas na mãe.

Contexto Educacional

O Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT) congênito é uma arritmia cardíaca fetal e neonatal grave, caracterizada pela ausência de condução elétrica entre átrios e ventrículos. Embora possa estar associado a cardiopatias estruturais, uma parcela significativa dos casos ocorre em corações estruturalmente normais, sendo a principal causa a presença de anticorpos maternos. A fisiopatologia nesses casos envolve a passagem transplacentária de autoanticorpos, principalmente anti-Ro/SSA e anti-La/SSB, de mães com doenças autoimunes (como Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Síndrome de Sjögren) para o feto. Esses anticorpos atacam o sistema de condução cardíaco fetal, levando à fibrose e disfunção do nó AV. É crucial notar que a mãe pode ser assintomática e o diagnóstico do BAVT fetal pode ser a primeira manifestação da colagenose materna. O diagnóstico é feito por ecocardiograma fetal, que revela bradicardia persistente. A hidropsia fetal é uma complicação grave e um sinal de mau prognóstico. O manejo pode incluir estimulação cardíaca intrauterina em casos selecionados e, após o nascimento, a maioria dos neonatos com BAVT congênito necessitará de implante de marcapasso definitivo. A investigação da mãe para colagenoses é fundamental.

Perguntas Frequentes

Qual a principal causa de Bloqueio Atrioventricular Total congênito sem cardiopatia estrutural?

A principal causa é a passagem transplacentária de anticorpos maternos (anti-Ro/SSA e anti-La/SSB) associados a colagenoses, como Lúpus Eritematoso Sistêmico ou Síndrome de Sjögren.

A bradicardia fetal persistente sempre justifica a investigação de BAVT?

Sim, a bradicardia fetal persistente é um sinal de alarme que sempre justifica a investigação de BAVT e outras arritmias ou cardiopatias, sendo a cardiotocografia e ecocardiograma fetal essenciais.

A hidropsia fetal é um marcador de mau prognóstico no BAVT congênito?

Sim, a hidropsia fetal é uma complicação grave e um marcador de mau prognóstico nas formas mais severas de BAVT congênito, indicando falência cardíaca e necessitando de intervenção.

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