BAV Total: Diagnóstico Eletrocardiográfico e Sintomas

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2024

Enunciado

Homem, 49 anos, sem comorbidades nem uso prévio de medicações, procura atendimento na emergência por tonturas recorrentes e palpitações. Nega história de síncope, dor torácica ou dispneia. Ao exame físico: PA 110/80 mmHg, FC 50 bpm, Sa02 96% (ar ambiente). Restante do exame físico sem particularidades. Realizado eletrocardiograma de superfície convencional de 12 derivações. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico correto para o caso.

Alternativas

  1. A) Fibrilação atrial com QRS estreito
  2. B) Bloqueio atrioventricular (BAV) total
  3. C) Bloqueio atrioventricular de 2o grau Mobitz 1
  4. D) Bloqueio atrioventricular de 2o grau Mobitz 2

Pérola Clínica

BAV Total = Dissociação AV completa + Ritmo de escape ventricular lento e regular, causando bradicardia sintomática.

Resumo-Chave

O Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT), ou de terceiro grau, é caracterizado pela completa dissociação entre a atividade atrial e ventricular, onde nenhum impulso atrial é conduzido aos ventrículos. Isso resulta em um ritmo ventricular de escape lento e regular, que pode causar sintomas como tontura, palpitações e síncope devido à bradicardia significativa.

Contexto Educacional

O Bloqueio Atrioventricular Total (BAVT), ou bloqueio de terceiro grau, representa uma interrupção completa da condução dos impulsos elétricos dos átrios para os ventrículos. Essa condição é grave e pode levar a uma bradicardia sintomática, com risco de síncope e insuficiência cardíaca. É fundamental para residentes e estudantes de medicina compreenderem a fisiopatologia e o reconhecimento eletrocardiográfico para um manejo rápido e eficaz. A incidência aumenta com a idade e está frequentemente associada a doenças cardíacas estruturais, isquemia ou degeneração do sistema de condução. No BAVT, os átrios e ventrículos batem de forma independente, cada um com seu próprio ritmo. As ondas P no eletrocardiograma são regulares, mas não há relação com os complexos QRS. Os ventrículos são ativados por um ritmo de escape, que pode ser juncional (QRS estreito, frequência de 40-60 bpm) ou ventricular (QRS alargado, frequência de 20-40 bpm). A frequência cardíaca lenta resultante pode comprometer o débito cardíaco, levando a sintomas como tontura, palpitações, fadiga e, em casos mais graves, síncope ou choque cardiogênico. O diagnóstico é confirmado pelo ECG de 12 derivações. O tratamento do BAVT sintomático é a implantação de um marcapasso cardíaco permanente. Em situações de emergência, pode ser necessário um marcapasso transcutâneo ou transvenoso temporário para estabilizar o paciente. A atropina pode ser eficaz em bloqueios nodais, mas geralmente não funciona em bloqueios infra-hissianos. É crucial diferenciar o BAVT de outros bloqueios AV, como o Mobitz I (Wenckebach) e Mobitz II, que possuem características eletrocardiográficas e prognósticos distintos. O conhecimento aprofundado desses bloqueios é essencial para a prática clínica e para exames de residência.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados característicos de um BAV total no eletrocardiograma?

No BAV total, o ECG mostra ondas P regulares com frequência atrial normal, mas sem nenhuma relação com os complexos QRS. Os complexos QRS são gerados por um ritmo de escape ventricular, que é lento (geralmente < 40-50 bpm) e regular, com QRS alargado se o escape for infra-hissiano ou estreito se juncional.

Quais sintomas podem indicar a presença de um Bloqueio Atrioventricular Total?

Os sintomas de BAV total são decorrentes da bradicardia e da baixa perfusão cerebral e sistêmica. Incluem tontura, pré-síncope, síncope, fadiga, dispneia aos esforços, dor torácica e palpitações (devido ao ritmo de escape ou à percepção da bradicardia).

Qual é a conduta inicial para um paciente com BAV total sintomático?

A conduta inicial para BAV total sintomático envolve estabilização hemodinâmica. Pode-se usar atropina (se o bloqueio for nodal), isoproterenol ou dopamina para aumentar a frequência cardíaca temporariamente. O tratamento definitivo geralmente requer a implantação de um marcapasso cardíaco permanente.

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