BAV de Segundo Grau: Diagnóstico Eletrocardiográfico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 55 anos de idade, hipertenso e com antecedente de angina estável, em uso de anlodipina, AAS, carvedilol e enalapril. Hoje queixa-se de fraqueza e tontura. Exame clínico bradicárdico sem outras alterações. Feito o eletrocardiograma a seguir. Qual é o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) BAV total.
  2. B) Bradicardia sinusal.
  3. C) BAV de segundo grau.
  4. D) BAV de primeiro grau.

Pérola Clínica

BAV 2º grau: QRS precedido por P, mas nem todo P conduz. Mobitz I (Wenckebach) = PR progressivamente ↑ até bloqueio.

Resumo-Chave

O Bloqueio Atrioventricular (BAV) de segundo grau é caracterizado por ondas P que não são conduzidas aos ventrículos intermitentemente. Existem dois tipos principais: Mobitz I (Wenckebach), com prolongamento progressivo do intervalo PR até uma onda P bloqueada, e Mobitz II, com bloqueio súbito de uma onda P sem prolongamento prévio do PR. A diferenciação é crucial para o manejo.

Contexto Educacional

O Bloqueio Atrioventricular (BAV) de segundo grau é uma arritmia cardíaca que reflete uma falha intermitente na condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos. Sua importância clínica reside no potencial de causar sintomas como fraqueza, tontura e síncope, e na possibilidade de progressão para BAV total, que é mais grave. É crucial para o residente saber identificar e diferenciar os tipos de BAV no eletrocardiograma (ECG). Existem dois tipos principais de BAV de segundo grau: Mobitz I (fenômeno de Wenckebach) e Mobitz II. No Mobitz I, há um prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P seja bloqueada, e o ciclo se repete. No Mobitz II, o bloqueio de uma onda P ocorre subitamente, sem prolongamento prévio do PR, e é considerado mais grave devido ao maior risco de progressão para BAV total. A fisiopatologia envolve disfunção do nó atrioventricular (Mobitz I) ou do sistema His-Purkinje (Mobitz II). Pacientes em uso de medicamentos como betabloqueadores (carvedilol) ou bloqueadores de canais de cálcio podem ter sua condução AV comprometida. O diagnóstico é feito exclusivamente pelo ECG. O tratamento depende do tipo de BAV e da presença de sintomas. O Mobitz I assintomático pode ser apenas observado, enquanto o Mobitz II, mesmo assintomático, geralmente requer implante de marcapasso devido ao risco de progressão. A avaliação da medicação em uso é fundamental, pois a suspensão ou ajuste de doses pode resolver o bloqueio em alguns casos. A atenção deve ser redobrada em pacientes com cardiopatia estrutural ou angina.

Perguntas Frequentes

Quais são as características eletrocardiográficas do BAV de segundo grau?

O BAV de segundo grau é caracterizado por ondas P que não são conduzidas aos ventrículos, resultando em QRS ausente após algumas ondas P. No Mobitz I (Wenckebach), há um prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P seja bloqueada. No Mobitz II, o bloqueio da onda P ocorre subitamente, sem prolongamento prévio do PR.

Como diferenciar BAV de segundo grau de BAV total?

No BAV de segundo grau, algumas ondas P são conduzidas, enquanto no BAV total (ou de terceiro grau), nenhuma onda P é conduzida aos ventrículos. Há uma dissociação completa entre a atividade atrial e ventricular, com o ritmo ventricular sendo mantido por um escape juncional ou ventricular, geralmente com frequência muito mais baixa e QRS alargado.

Quais medicamentos podem precipitar um BAV em pacientes hipertensos com angina?

Medicamentos como betabloqueadores (ex: carvedilol) e bloqueadores dos canais de cálcio não diidropiridínicos (ex: verapamil, diltiazem) podem prolongar o tempo de condução atrioventricular e precipitar ou agravar um BAV. Em pacientes com angina, esses medicamentos são frequentemente usados, exigindo monitorização cuidadosa do ECG.

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