Bloqueio Atrioventricular de Primeiro Grau: ECG e Significado

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 43 anos de idade, com história de cardiopatia estrutural, procurou o pronto-socorro queixando-se de desconforto torácico inespecífico e três pré-síncopes nas últimas 12 horas. Na admissão, foi realizado eletrocardiograma (ECG) com o traçado apresentado. Considerando esse caso e com base nesse traçado, é correto afirmar que se trata de

Alternativas

  1. A) ritmo sinusal normal.
  2. B) bloqueio atrioventricular de primeiro grau.
  3. C) bloqueio atrioventricular de segundo grau.
  4. D) bloqueio atrioventricular total.

Pérola Clínica

BAV 1º grau = PR prolongado (>0.20s), mas todo P é seguido por QRS. Geralmente assintomático.

Resumo-Chave

O bloqueio atrioventricular de primeiro grau é caracterizado por um atraso na condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos, manifestado por um intervalo PR prolongado no ECG (> 0.20 segundos), sem falha na condução de nenhum batimento atrial para o ventrículo. Embora geralmente benigno, pode estar associado a cardiopatias estruturais e, raramente, a sintomas como pré-síncope se houver outra disfunção cardíaca concomitante.

Contexto Educacional

O bloqueio atrioventricular (BAV) de primeiro grau é uma alteração comum no eletrocardiograma (ECG) que reflete um atraso na condução do impulso elétrico do nó atrioventricular (AV) para os ventrículos. É caracterizado por um intervalo PR prolongado (maior que 0.20 segundos) com cada onda P sendo seguida por um complexo QRS. A prevalência aumenta com a idade e pode ser encontrada em indivíduos saudáveis, especialmente atletas, devido ao aumento do tônus vagal. Fisiopatologicamente, o atraso na condução pode ocorrer no nó AV, no feixe de His ou nas fibras de Purkinje. Embora geralmente benigno e assintomático, o BAV de primeiro grau pode estar associado a condições como doença cardíaca isquêmica, miocardiopatias, doenças valvares, distúrbios eletrolíticos ou uso de medicamentos que afetam a condução AV (ex: betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, digoxina). Em alguns casos, um PR muito prolongado (>0.30 segundos) pode levar a sintomas inespecíficos ou ser um preditor de progressão para bloqueios mais avançados, especialmente em pacientes com doença cardíaca estrutural. O diagnóstico é feito exclusivamente pelo ECG. O tratamento do BAV de primeiro grau isolado geralmente não é necessário, a menos que o paciente seja sintomático ou haja progressão para bloqueios de maior grau. A abordagem foca na identificação e tratamento de causas reversíveis, como ajuste de medicamentos ou correção de distúrbios eletrolíticos. Em pacientes com cardiopatia estrutural e sintomas atribuíveis, a avaliação cuidadosa é fundamental para descartar outras causas e considerar a possibilidade de que o BAV de primeiro grau seja um marcador de disfunção mais ampla do sistema de condução.

Perguntas Frequentes

Qual a principal característica eletrocardiográfica do bloqueio atrioventricular de primeiro grau?

A principal característica do BAV de primeiro grau no ECG é o prolongamento do intervalo PR para mais de 0.20 segundos (5 quadradinhos pequenos), mantendo-se constante. Cada onda P é seguida por um complexo QRS, indicando que todos os impulsos atriais são conduzidos aos ventrículos, apenas com atraso.

Quais são as causas comuns do bloqueio atrioventricular de primeiro grau?

O BAV de primeiro grau pode ser fisiológico em atletas, mas também pode ser causado por aumento do tônus vagal, doenças cardíacas estruturais (como miocardiopatias, doença coronariana), distúrbios eletrolíticos, uso de certos medicamentos (betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio, digoxina) ou doenças degenerativas do sistema de condução.

O bloqueio atrioventricular de primeiro grau é perigoso ou causa sintomas?

Geralmente, o BAV de primeiro grau é assintomático e considerado benigno, não requerendo tratamento específico. No entanto, em pacientes com cardiopatia estrutural ou outras disfunções cardíacas, pode ser um marcador de doença subjacente e, em raras ocasiões, contribuir para sintomas como pré-síncope ou tontura, especialmente se o PR for muito longo.

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