BAV Mobitz II: Manejo da Bradicardia Sintomática

Multivix - Faculdade Multivix Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 50 anos, sexo masculino, é admitido na sala de emergência apresentando sintomas de síncope e palpitações. O eletrocardiograma revela bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo grau, tipo Mobitz II, com frequentes episódios de bradicardia. Qual é a melhor conduta inicial para este paciente?

Alternativas

  1. A) Administrar atropina 1 mg intravenosa, podendo repetir a dose até um máximo de 3 mg.
  2. B) Realizar cardioversão elétrica sincronizada para restaurar o ritmo sinusal.
  3. C) Iniciar infusão de amiodarona para controle imediato da bradicardia.
  4. D) Preparar para a implantação de um marcapasso transvenoso temporário enquanto se avalia a necessidade de marcapasso definitivo.

Pérola Clínica

BAV Mobitz II sintomático → marcapasso temporário (transcutâneo ou transvenoso) → marcapasso definitivo.

Resumo-Chave

O BAV de segundo grau tipo Mobitz II é uma condição grave que frequentemente progride para BAV total e está associado a alto risco de assistolia e síncope. A atropina geralmente não é eficaz, e a conduta inicial para pacientes sintomáticos é a estimulação cardíaca temporária, como o marcapasso transvenoso ou transcutâneo, enquanto se prepara para a implantação de um marcapasso definitivo.

Contexto Educacional

O bloqueio atrioventricular (BAV) de segundo grau tipo Mobitz II é uma arritmia cardíaca caracterizada por falha intermitente na condução dos impulsos atriais para os ventrículos, sem prolongamento progressivo do intervalo PR antes do bloqueio. É uma condição potencialmente grave, pois o bloqueio ocorre geralmente no sistema His-Purkinje, abaixo do nó atrioventricular, e pode progredir abruptamente para BAV total e assistolia, levando a sintomas como síncope, tontura e fadiga. A fisiopatologia do BAV Mobitz II envolve disfunção do sistema de condução infranodal, muitas vezes devido a doença degenerativa, isquemia, miocardites ou efeitos de medicamentos. O diagnóstico é feito pelo eletrocardiograma (ECG), que mostra ondas P não conduzidas sem o prolongamento prévio do PR. Pacientes sintomáticos, especialmente com síncope ou pré-síncope, requerem intervenção imediata devido ao alto risco de eventos adversos graves. A conduta para BAV Mobitz II sintomático difere de outras bradiarritmias. A atropina, que atua no nó AV, é ineficaz e pode até ser prejudicial. A estimulação cardíaca é a terapia de escolha. Inicialmente, pode-se usar um marcapasso transcutâneo em emergência, mas a preparação para um marcapasso transvenoso temporário é a melhor opção para estabilização a curto prazo, enquanto se avalia a necessidade de um marcapasso definitivo, que é o tratamento padrão para BAV Mobitz II sintomático.

Perguntas Frequentes

Por que o BAV Mobitz II é considerado grave?

O BAV Mobitz II é grave porque o bloqueio ocorre abaixo do nó AV, no sistema His-Purkinje, e pode progredir rapidamente para BAV total e assistolia, resultando em síncope e morte súbita.

Qual a diferença entre BAV Mobitz I e Mobitz II na conduta?

No Mobitz I (Wenckebach), o bloqueio é geralmente no nó AV, e a atropina pode ser eficaz. No Mobitz II, o bloqueio é infranodal, a atropina é ineficaz, e a conduta primária para pacientes sintomáticos é o marcapasso.

Quando está indicado o marcapasso transvenoso temporário?

O marcapasso transvenoso temporário é indicado para pacientes com bradicardia sintomática grave, como no BAV Mobitz II, que não respondem à atropina ou quando há alto risco de progressão para BAV total, servindo como ponte para o marcapasso definitivo.

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