HFCF - Hospital Federal Cardoso Fontes (RJ) — Prova 2015
A respeito de quadros arrítmicos agudos é CORRETO afirmar:
BAV Mobitz II com QRS alargado → indicação de marcapasso definitivo.
O bloqueio atrioventricular (BAV) tipo Mobitz II, especialmente com QRS alargado, indica uma lesão infranodal e tem alto risco de progressão para BAV total, justificando a implantação de marcapasso definitivo.
As arritmias cardíacas agudas representam um desafio clínico significativo, exigindo diagnóstico rápido e manejo adequado. Dentre elas, os bloqueios atrioventriculares (BAV) são de particular importância. O BAV tipo Mobitz II é caracterizado por falhas intermitentes na condução atrioventricular sem prolongamento progressivo do intervalo PR. Quando associado a um QRS alargado, sugere um bloqueio infranodal, com alto risco de progressão súbita para BAV total e assistolia, o que o torna uma indicação para implante de marcapasso definitivo. Em contraste, a taquicardia ventricular (TV) estável é uma arritmia potencialmente fatal que requer tratamento imediato. A adenosina não é a droga de escolha para TV; ela é utilizada para reverter taquicardias supraventriculares paroxísticas (TSVP) por reentrada. Para TV estável, antiarrítmicos como amiodarona, procainamida ou sotalol são preferidos, enquanto a cardioversão elétrica sincronizada é a opção para TV instável. Outro ponto relevante é a relação entre oclusões coronarianas e BAV. A artéria coronária direita (ACD) irriga o nó atrioventricular (AV) em cerca de 90% dos indivíduos. Portanto, oclusões da ACD são mais frequentemente associadas a BAVs transitórios, especialmente de primeiro grau ou Mobitz I (Wenckebach), que geralmente respondem bem à atropina e são reversíveis. Oclusões da coronária esquerda e seus ramos, embora mais graves, tendem a causar BAVs menos frequentemente, a menos que haja comprometimento extenso do sistema de condução. A anticoagulação na fibrilação atrial é crucial para prevenir eventos tromboembólicos, e a idade avançada, embora aumente o risco de sangramento, não contraindica a anticoagulação se o benefício superar o risco, conforme avaliado por escores como CHA2DS2-VASc e HAS-BLED.
Para taquicardia ventricular estável, a droga de escolha é geralmente a procainamida, amiodarona ou sotalol, e não a adenosina, que é para taquicardias supraventriculares.
Oclusões da coronária direita são mais propensas a causar bloqueios atrioventriculares, pois ela irriga o nó AV na maioria das pessoas, ao contrário da coronária esquerda.
A idade avançada aumenta o risco de hemorragia, mas não é uma contraindicação absoluta para anticoagulação na fibrilação atrial. A decisão deve ser individualizada, ponderando o risco trombótico (CHA2DS2-VASc) e o risco hemorrágico (HAS-BLED).
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