BAV Mobitz II: Diagnóstico e Manejo da Bradicardia Sintomática

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 59 anos de idade, foi admitida na unidade de emergência com queixa de cansaço, tontura e dispneia aos esforços há duas horas. Tem história prévia de hipertensão arterial e doença pulmonar obstrutiva crônica, estando em uso de formoterol, tiotrópio, enalapril e hidroclorotiazida. Ao exame, apresenta pressão arterial de 84x56mmHg e frequência cardíaca de 48bpm. O eletrocardiograma realizado na admissão pode ser visto na imagem a seguir: Após a admissão, foi administrado 1mg de atropina, sem resposta efetiva. Qual é o diagnóstico eletrocardiograma e o tratamento recomendado neste momento?

Alternativas

  1. A) Bloqueio atrioventricular de 1º grau. Dobutamina 0,02mcg/kg/min.
  2. B) Bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz I. Epinefrina 0,05mcg/kg/min.
  3. C) Bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz II. Dopamina 5mcg/kg/min.
  4. D) Bloqueio atrioventricular de 3º grau. Lidocaína 1,5mcg/kg.
  5. E) Bradicardia sinusal. Norepinefrina 0,01mcg/kg/min.

Pérola Clínica

Bradicardia sintomática com BAV Mobitz II e sem resposta à atropina → considerar Dopamina ou marcapasso transcutâneo.

Resumo-Chave

Em pacientes com bradicardia sintomática e evidência de bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz II, a falha terapêutica com atropina indica a necessidade de intervenções mais avançadas, como o uso de vasopressores (Dopamina ou Epinefrina) ou a instalação de marcapasso transcutâneo, devido ao risco de progressão para BAV total.

Contexto Educacional

A bradicardia sintomática é uma emergência cardiológica que requer reconhecimento e tratamento rápidos para prevenir a deterioração hemodinâmica. Entre as causas de bradicardia, os bloqueios atrioventriculares (BAV) são particularmente importantes, especialmente o BAV de 2º grau Mobitz II e o BAV de 3º grau, que indicam um bloqueio mais distal no sistema de condução e maior risco de assistolia. A prevalência de bradicardias sintomáticas aumenta com a idade e pode ser precipitada por medicamentos (beta-bloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio), doenças cardíacas isquêmicas ou distúrbios eletrolíticos. O diagnóstico é feito pelo eletrocardiograma (ECG) em conjunto com a avaliação clínica dos sintomas de hipoperfusão (tontura, síncope, hipotensão, dispneia, dor torácica). No BAV Mobitz II, o ECG mostra ondas P que não são conduzidas intermitentemente, com um intervalo PR constante nos batimentos conduzidos. A identificação do tipo de bloqueio é crucial, pois o Mobitz II e o BAV de 3º grau são considerados de alto risco e frequentemente não respondem à atropina. O tratamento inicial da bradicardia sintomática segue as diretrizes do ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support). Se o paciente estiver instável, a atropina é a primeira droga. No entanto, se não houver resposta ou se o diagnóstico for BAV Mobitz II ou 3º grau, deve-se considerar imediatamente o marcapasso transcutâneo e/ou a infusão de vasopressores como Dopamina ou Epinefrina, enquanto se prepara para a colocação de um marcapasso transvenoso definitivo. A identificação e correção de causas reversíveis também são importantes.

Perguntas Frequentes

Quais são as características eletrocardiográficas do Bloqueio Atrioventricular de 2º grau Mobitz II?

No BAV Mobitz II, há falhas intermitentes na condução do impulso atrial para os ventrículos, resultando em ondas P que não são seguidas por complexos QRS. O intervalo PR dos batimentos conduzidos é constante, e a falha de condução ocorre de forma súbita, sem prolongamento progressivo do PR.

Qual a conduta inicial para um paciente com bradicardia sintomática?

A conduta inicial envolve a avaliação do ABC, oxigênio se necessário, acesso venoso e monitorização cardíaca. Se houver instabilidade hemodinâmica (hipotensão, alteração do nível de consciência, sinais de choque, dor torácica isquêmica, insuficiência cardíaca aguda), a atropina é a primeira droga. Se não houver resposta ou se for um BAV de alto grau, considerar marcapasso transcutâneo ou infusão de vasopressores como Dopamina ou Epinefrina.

Por que a atropina pode não ser eficaz em casos de BAV Mobitz II?

A atropina atua bloqueando o nervo vago e aumentando a condução no nó atrioventricular. No BAV Mobitz II, o bloqueio geralmente ocorre abaixo do nó AV (no feixe de His ou Purkinje), onde a atropina tem pouca ou nenhuma ação. Por isso, outras intervenções são necessárias.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo