BAV Mobitz II: Diagnóstico e Conduta de Emergência

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 68 anos apresenta quadro progressivo de dispneia. Hoje, apresentou quadro de tontura seguida de síncope. O traçado do ECG está a seguir:Nesse momento, com relação ao diagnóstico e à respectiva conduta, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) bradicardia sinusal, dopamina em infusão contínua.
  2. B) bloqueio atrioventricular de 1º grau, bolus de atropina.
  3. C) bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz I, bolus de atropina.
  4. D) bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz II, colocação de marca-passo externo.
  5. E) bloqueio atrioventricular, colocação de marca-passo externo.

Pérola Clínica

BAV 2º grau Mobitz II com síncope → instabilidade hemodinâmica → marca-passo externo.

Resumo-Chave

O bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz II é uma condição grave que pode progredir rapidamente para BAV total, causando instabilidade hemodinâmica como síncope e hipotensão. Nesses casos, a conduta imediata é a colocação de um marca-passo externo temporário para estabilizar o paciente.

Contexto Educacional

O Bloqueio Atrioventricular (BAV) de 2º grau Mobitz II é uma arritmia cardíaca grave caracterizada por falha intermitente na condução do impulso atrial para os ventrículos, sem prolongamento progressivo do intervalo PR. É crucial reconhecer este tipo de bloqueio devido ao seu alto risco de progressão para BAV total e instabilidade hemodinâmica, como síncope, tontura e hipotensão, que podem ser fatais se não tratadas prontamente. A etiologia pode incluir doença do sistema de condução, infarto agudo do miocárdio ou efeitos de medicamentos. O diagnóstico é feito por eletrocardiograma (ECG), que mostra ondas P regulares, mas nem todas seguidas por um complexo QRS, com um intervalo PR constante antes das ondas P conduzidas. A fisiopatologia envolve um bloqueio abaixo do nó AV, geralmente no feixe de His ou nas fibras de Purkinje. A suspeita deve surgir em pacientes com bradicardia sintomática, especialmente se houver história de doença cardíaca estrutural ou uso de medicamentos que afetam a condução. O tratamento imediato para BAV Mobitz II sintomático é a colocação de um marca-passo externo transcutâneo para estabilizar o paciente. A atropina é geralmente ineficaz e contraindicada, pois o bloqueio é infra-hissiano. Após a estabilização, a indicação de um marca-passo definitivo é quase universal para prevenir recorrências e complicações. O prognóstico depende da causa subjacente e da rapidez da intervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para um BAV Mobitz II grave?

Sinais de alerta incluem síncope, tontura, hipotensão, dispneia e outros sintomas de baixo débito cardíaco. A progressão para BAV total é um risco iminente, exigindo intervenção rápida.

Qual a conduta inicial para um paciente com BAV Mobitz II sintomático?

A conduta inicial para BAV Mobitz II sintomático é a colocação de um marca-passo externo transcutâneo. A atropina geralmente não é eficaz e pode até piorar o bloqueio infra-hissiano.

Como diferenciar BAV Mobitz I de Mobitz II no ECG?

No Mobitz I (Wenckebach), há um prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P seja bloqueada. No Mobitz II, o intervalo PR é constante antes da onda P bloqueada, e o bloqueio ocorre abruptamente sem aviso prévio.

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