Bloqueios AV Fisiológicos: Influência do Tônus Parassimpático

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2025

Enunciado

O nó AV sofre importante influência do sistema nervoso autônomo, portanto:

Alternativas

  1. A) Nas situações em que não haja predominância do tônus parassimpático (durante sono, atletas), pode-se observar bloqueio AV de 1º grau e/ ou bloqueio AV de 2° grau tipo I, sem haver lesão do nó AV.
  2. B) Nas situações em que haja predominância do tônus parassimpático (durante sono, atletas), pode-se observar bloqueio AV de 1º grau e/ ou bloqueio AV de 2º grau tipo I, somente com lesão do nó AV.
  3. C) Nas situações em que haja predominância do tônus simpático (durante sono, atletas), pode-se observar bloqueio AV de 1º grau e/ ou bloqueio AV de 2º grau tipo I, sem haver lesão do nó AV.
  4. D) Nas situações em que haja predominância do tônus parassimpático (durante sono, atletas), pode-se observar bloqueio AV de 1º grau e/ ou bloqueio AV de 2º grau tipo I, sem haver lesão do nó AV.

Pérola Clínica

Tônus parassimpático ↑ (sono, atletas) → Bloqueio AV 1º grau e/ou 2º grau tipo I (Wenckebach) fisiológico, sem lesão AV.

Resumo-Chave

O nó atrioventricular é altamente sensível à modulação autonômica. Um aumento do tônus parassimpático (vagal), comum durante o sono ou em atletas bem condicionados, pode lentificar a condução AV, manifestando-se como bloqueio AV de 1º grau ou bloqueio AV de 2º grau tipo I (Wenckebach), que são considerados achados fisiológicos e benignos nessas condições, sem indicar doença estrutural.

Contexto Educacional

O nó atrioventricular (AV) é uma estrutura crítica no sistema de condução cardíaco, responsável por atrasar o impulso elétrico dos átrios para os ventrículos, permitindo o enchimento ventricular adequado. Sua função é intensamente modulada pelo sistema nervoso autônomo, um conceito fundamental para residentes na interpretação de eletrocardiogramas e na compreensão das bradiarritmias. A predominância do tônus parassimpático (vagal), que ocorre fisiologicamente durante o sono ou em indivíduos com alto condicionamento físico (atletas), pode lentificar a condução no nó AV. Essa lentificação pode se manifestar como um bloqueio atrioventricular de 1º grau (prolongamento do intervalo PR) ou um bloqueio atrioventricular de 2º grau tipo I, também conhecido como fenômeno de Wenckebach. É crucial que o residente saiba que, nessas condições específicas e na ausência de sintomas ou doença cardíaca estrutural, esses bloqueios são considerados achados benignos e fisiológicos, não indicando uma patologia do nó AV. A capacidade de diferenciar um bloqueio AV fisiológico de um patológico evita investigações e intervenções desnecessárias, focando a atenção em pacientes que realmente necessitam de tratamento.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre bloqueio AV de 1º grau e 2º grau tipo I?

No bloqueio AV de 1º grau, há um prolongamento constante do intervalo PR (>200ms) sem bloqueio de ondas P. No bloqueio AV de 2º grau tipo I (Wenckebach), o intervalo PR se prolonga progressivamente até que uma onda P seja bloqueada, e o ciclo se repete.

Por que o tônus parassimpático afeta o nó AV?

O nó AV possui receptores muscarínicos que, quando ativados pela acetilcolina liberada pelo nervo vago (parassimpático), diminuem a velocidade de condução e aumentam o período refratário, lentificando a transmissão do impulso atrial para os ventrículos.

Quando um bloqueio AV de 1º ou 2º grau tipo I é considerado patológico?

Geralmente, esses bloqueios são considerados patológicos se ocorrem em pacientes sintomáticos (tontura, síncope), em repouso sem predominância vagal clara, ou se há evidência de doença cardíaca estrutural ou uso de medicamentos que afetam a condução AV.

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