Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023
O bloqueio Atrioventricular (BAV), na presença de dilatação leve do VE, pode ser devido a várias causas (incluindo laminopatia), mas também pode ser sugestivo de doença de Lyme, sarcoidose cardíaca ou miocardite de células gigantes. Sendo correto que o:
O ECG é ferramenta de triagem e estratificação de risco para BAV, mas seu valor diagnóstico para causas específicas (Lyme, sarcoidose) é fraco.
O eletrocardiograma (ECG) é uma ferramenta essencial e conveniente para a triagem inicial e estratificação de risco de bloqueios atrioventriculares. Contudo, para o diagnóstico etiológico específico de condições como doença de Lyme, sarcoidose ou miocardite de células gigantes, o ECG possui um valor diagnóstico fraco, necessitando de exames complementares.
O Bloqueio Atrioventricular (BAV) é uma condição em que a condução do impulso elétrico entre os átrios e os ventrículos é parcial ou totalmente interrompida. Pode variar de um BAV de primeiro grau assintomático a um BAV total (terceiro grau) que causa bradicardia sintomática e pode ser fatal. A etiologia é diversa, incluindo causas degenerativas, isquêmicas, infecciosas, inflamatórias e genéticas. O eletrocardiograma (ECG) é a ferramenta diagnóstica inicial e mais acessível para identificar e classificar o BAV. Ele permite a triagem de pacientes com sintomas sugestivos e a estratificação de risco, indicando a necessidade de monitoramento ou intervenção. No entanto, o ECG tem um valor diagnóstico limitado para determinar a causa específica do BAV, especialmente em doenças sistêmicas raras como a sarcoidose cardíaca, doença de Lyme ou miocardite de células gigantes, que podem cursar com dilatação ventricular. Para investigar a etiologia subjacente, são necessários exames complementares como ecocardiograma, ressonância magnética cardíaca, exames sorológicos e, em casos selecionados, biópsia miocárdica. O reconhecimento de que o ECG é uma ferramenta de triagem e estratificação, mas não etiológica definitiva, é crucial para o residente na condução da investigação diagnóstica.
As causas podem ser idiopáticas (doença degenerativa do sistema de condução), isquêmicas, infecciosas (doença de Lyme, Chagas), inflamatórias (sarcoidose, miocardite), congênitas, medicamentosas ou associadas a doenças sistêmicas (laminopatias).
O ECG é fundamental para identificar a presença e o grau do BAV (1º, 2º ou 3º grau), avaliar a frequência ventricular e a morfologia do QRS, fornecendo informações para a estratificação de risco e a necessidade de marca-passo.
Além do ECG, podem ser necessários ecocardiograma, Holter, teste ergométrico, exames laboratoriais (para doença de Lyme, doenças autoimunes), ressonância magnética cardíaca e, em alguns casos, biópsia endomiocárdica para etiologias específicas como sarcoidose ou miocardite.
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