BAV 2:1: Diagnóstico Eletrocardiográfico e Implicações

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Baseado na análise eletrocardiográfica dos bloqueios atrioventriculares é possível não só dar o diagnóstico da bradiarritmia, mas também definir a altura do bloqueio (supra ou infrahissiano) e sua responsividade a atropina. Considere o eletrocardiograma a seguir: A respeito do diagnóstico dessa arritmia, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Bloqueio atrioventricular (BAV) de 2° grau Mobitz tipo I.
  2. B) Bloqueio atrioventricular (BAV) 2:1.
  3. C) Bloqueio atrioventricular (BAV) de 2° grau Mobitz tipo II.
  4. D) Bloqueio atrioventricular (BAV) total.

Pérola Clínica

BAV 2:1: Duas ondas P para cada complexo QRS. Pode ser Mobitz I ou II, mas exige análise cuidadosa ou tira mais longa.

Resumo-Chave

O BAV 2:1 é uma forma de bloqueio atrioventricular de segundo grau onde a cada duas ondas P, apenas uma é conduzida aos ventrículos, resultando em uma relação P:QRS de 2:1. Sem um eletrocardiograma mais longo, pode ser difícil diferenciar se o bloqueio ocorre no nó AV (Mobitz I) ou abaixo dele (Mobitz II), o que tem implicações prognósticas e terapêuticas.

Contexto Educacional

Os bloqueios atrioventriculares (BAV) são bradiarritmias que resultam de um retardo ou interrupção da condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos. O BAV de segundo grau é classificado em Mobitz tipo I (Wenckebach), Mobitz tipo II e BAV 2:1. O BAV 2:1 é caracterizado por duas ondas P para cada complexo QRS, ou seja, uma onda P é conduzida e a seguinte é bloqueada. A importância de diferenciar o BAV 2:1 de outras formas de BAV reside no seu prognóstico e manejo. Embora o BAV 2:1 seja tecnicamente um BAV de segundo grau, sem um traçado mais longo ou manobras específicas, é desafiador determinar se ele se comporta como um Mobitz I (geralmente nodal, benigno, responsivo à atropina) ou um Mobitz II (geralmente infrahissiano, mais grave, com risco de progressão para BAV total e indicação de marcapasso). A análise cuidadosa do eletrocardiograma, buscando por pistas como a duração do QRS (QRS estreito sugere bloqueio nodal, QRS largo sugere bloqueio infrahissiano) e a resposta a manobras vagais ou atropina, pode auxiliar na localização do bloqueio. Para residentes, o reconhecimento imediato do padrão 2:1 é o primeiro passo, seguido pela investigação da localização e da necessidade de intervenção, como a implantação de marcapasso definitivo em casos de bloqueio infrahissiano sintomático ou com alto risco de progressão.

Perguntas Frequentes

Como identificar um BAV 2:1 no eletrocardiograma?

No BAV 2:1, observa-se uma onda P bloqueada para cada onda P conduzida, resultando em duas ondas P para cada complexo QRS. A frequência atrial é o dobro da ventricular.

Qual a diferença entre BAV 2:1 e BAV Mobitz tipo I ou II?

O BAV 2:1 é um tipo de BAV de segundo grau. Sem um traçado mais longo, é difícil determinar se ele tem as características de prolongamento progressivo do PR (Mobitz I) ou falha súbita de condução (Mobitz II). A localização do bloqueio (supra ou infrahissiano) é crucial para o prognóstico e tratamento.

O BAV 2:1 é responsivo à atropina?

A responsividade à atropina no BAV 2:1 depende da localização do bloqueio. Se for um bloqueio nodal (Mobitz I), pode haver melhora. Se for infrahissiano (Mobitz II), a atropina pode piorar o bloqueio, aumentando a frequência atrial e, consequentemente, o número de P bloqueadas.

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