Nifedipina e Diltiazem: Bloqueadores de Canais de Cálcio

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2019

Enunciado

G.A.P., 72 anos, sexo masculino, aposentado, casado com S.A.B., 69 anos, sexo feminino, professora. São pacientes da equipe de PSF "tão tão distante". G.A.P. é portador de hipertensão arterial sistêmica há 30 anos, ex- tabagista e ex-etillista (parou com ambos os vicios há três anos devido a um "início de infarto"). Atualmente com prescrição de enalapril 40 mg/dia, nifedipina 60 mg/dia, hidroclorotiazida 25 mg/dia e sinvastatina 40 mg/dia. Apresentou, recentemente, em exames complementares, ácido úrico 9,8 mg/dL. A esposa, S.A.B., é portadora de DM há 15 anos, menopausada há 17 anos, G3P2A1, boêmia, etilista desde os 15 anos, nega tabagismo. Tem prescrição de metformina 1.700 mg/dia e glibenclamida 15 mg/dia, porém relata uso irregular da medicação devido à "dor no estômago e diarreia". Em relação às patologias e aos medicamentos citados, assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Considerando normal a função renal da paciente, pode-se afirmar que o hipoglicemiante que está usando, da categoria biguanida, encontra-se em sua dosagem máxima.
  2. B) Nifedipina é um anti-hipertensivo da mesma classe do medicamento diltiazem.
  3. C) Deve-se evitar prescrever a estatina citada simultaneamente com ezetimiba.
  4. D) Mudanças no estilo de vida não devem ser incentivadas nos pacientes.

Pérola Clínica

Nifedipina (di-hidropiridínico) e Diltiazem (não di-hidropiridínico) são ambos bloqueadores de canais de cálcio.

Resumo-Chave

A nifedipina é um bloqueador de canais de cálcio di-hidropiridínico, enquanto o diltiazem é um não di-hidropiridínico. Ambos atuam no cálcio, mas com seletividade e efeitos cardíacos distintos. A alternativa está correta ao afirmar que são da mesma classe (bloqueadores de canais de cálcio), embora de subclasses diferentes.

Contexto Educacional

Os bloqueadores de canais de cálcio (BCC) são uma classe heterogênea de medicamentos amplamente utilizados no tratamento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, angina e arritmias. Eles atuam inibindo o influxo de íons cálcio para as células musculares lisas vasculares e/ou miocárdicas, resultando em vasodilatação e/ou redução da contratilidade e frequência cardíaca. A nifedipina é um BCC di-hidropiridínico, caracterizado por sua seletividade vascular e potente efeito vasodilatador. Por outro lado, o diltiazem é um BCC não di-hidropiridínico, que possui efeitos tanto vasculares quanto cardíacos, reduzindo a frequência cardíaca e a contratilidade miocárdica, além de promover vasodilatação. Embora ambos pertençam à mesma classe geral de bloqueadores de canais de cálcio, suas subclasses conferem perfis farmacológicos e indicações clínicas ligeiramente distintos. É fundamental compreender essas diferenças para a escolha terapêutica adequada e para evitar interações ou efeitos adversos indesejados. No caso clínico apresentado, a paciente utiliza glibenclamida, uma sulfonilureia, que pode causar efeitos gastrointestinais como dor no estômago e diarreia, justificando o uso irregular. Além disso, a hiperuricemia do paciente masculino pode ser exacerbada pelo uso de hidroclorotiazida, um diurético tiazídico, que é um fator de risco conhecido para gota. A sinvastatina, uma estatina, é eficaz na dislipidemia, mas deve-se atentar a possíveis interações medicamentosas e efeitos adversos musculares.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre bloqueadores de canais de cálcio di-hidropiridínicos e não di-hidropiridínicos?

Os di-hidropiridínicos (como nifedipina) atuam predominantemente na musculatura lisa vascular, causando vasodilatação. Os não di-hidropiridínicos (como diltiazem) atuam mais no miocárdio e no nódulo AV, reduzindo a frequência cardíaca e a contratilidade.

Quais são as principais indicações clínicas para a nifedipina?

A nifedipina é amplamente utilizada no tratamento da hipertensão arterial sistêmica, angina de peito (especialmente angina de Prinzmetal) e fenômeno de Raynaud, devido à sua potente ação vasodilatadora periférica.

Quais são os efeitos adversos mais comuns da glibenclamida e como manejá-los?

Os efeitos adversos mais comuns da glibenclamida incluem hipoglicemia e ganho de peso. Para manejá-los, é crucial ajustar a dose, orientar sobre a alimentação e, se necessário, considerar a troca por outro hipoglicemiante oral com menor risco de hipoglicemia.

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