CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Homem de 25 anos sofreu traumatismo contuso na órbita direita há cinco semanas e apresenta blefaroptose ipsolateral com função do músculo levantador da pálpebra superior de 14 mm, fenda palpebral de 4 mm e distância margem-reflexo negativa. Considere a exoftalmometria simétrica, exame da motilidade ocular e do olho sem outros achados significativos. Qual é a conduta mais adequada nesse momento, dentre as abaixo?
Ptose pós-trauma com boa função do levantador (≥12mm) → Conduta expectante por 6 meses.
Traumas contusos podem causar edema ou neuropraxia temporária; se a função do músculo levantador está preservada (14mm), a recuperação espontânea é a regra.
A blefaroptose traumática pode ocorrer por diversos mecanismos: desinserção da aponeurose do levantador, dano direto ao corpo muscular ou lesão neurogênica (nervo oculomotor). A avaliação clínica inicial deve focar na função do MLPS e na presença de outros sinais neurológicos. Neste paciente, a função de 14 mm é um forte indicador de que não houve avulsão completa ou dano muscular irreversível. A distância margem-reflexo (MRD1) negativa confirma a ptose severa, mas a preservação da excursão palpebral sugere que o componente obstrutivo (edema/hematoma) ou funcional temporário é o responsável. A intervenção precoce pode levar a resultados imprevisíveis e supercorreções.
O consenso na oculoplástica é aguardar de 6 a 9 meses para a estabilização do quadro. Muitos casos de ptose traumática resultam de edema, hematoma ou neuropraxia do III par, que apresentam resolução espontânea significativa nesse período.
A função do músculo levantador da pálpebra superior (MLPS) é considerada excelente quando a excursão palpebral é maior ou igual a 12 mm. No caso clínico, 14 mm indica integridade muscular e nervosa, favorecendo o prognóstico conservador.
A suspensão ao frontal é reservada para casos de ptose com função do levantador muito pobre (geralmente < 4 mm), onde o músculo não tem força suficiente para elevar a pálpebra, necessitando do auxílio do músculo frontal.
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