CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2019
A foto abaixo ilustra o perioperatório de técnica cirúrgica para correção de:
Ptose leve (1-2mm) + boa função do elevador → Ressecção conjuntivo-mülleriana ou Fasanella-Servat.
A correção da blefaroptose leve em pacientes com boa função do músculo elevador da pálpebra superior é frequentemente realizada através de técnicas de abordagem posterior, como a ressecção do músculo de Müller e conjuntiva.
A blefaroptose é definida como o posicionamento anormalmente baixo da pálpebra superior em relação ao limbo corneano superior. O planejamento cirúrgico é rigoroso e depende da etiologia (miogênica, neurogênica, aponeurótica ou mecânica) e da quantificação da ptose. Em casos leves, o objetivo é simetria e restauração do campo visual superior com o mínimo de trauma tecidual. A técnica ilustrada no perioperatório (referida na questão) foca na manipulação das estruturas posteriores da pálpebra. Além da Fasanella-Servat, a ressecção da aponeurose do elevador por via anterior é outra opção comum para ptoses leves a moderadas, permitindo ajustes intraoperatórios mais precisos da altura e do contorno palpebral. O sucesso cirúrgico exige a compreensão da anatomia lamelar da pálpebra: lamela anterior (pele e orbicular), lamela média (septo orbitário e gordura) e lamela posterior (retratores, tarso e conjuntiva).
A técnica de Fasanella-Servat é indicada para casos de blefaroptose leve (aproximadamente 1,5 a 2 mm de queda) que apresentam uma função preservada do músculo elevador da pálpebra superior (geralmente > 10 mm). É uma técnica de abordagem posterior que envolve a ressecção de uma faixa da borda superior do tarso, do músculo de Müller e da conjuntiva palpebral superior. É particularmente útil em ptoses de Horner ou ptoses congênitas muito leves, oferecendo um resultado previsível e sem cicatrizes cutâneas visíveis.
A função do elevador é medida pela excursão da margem palpebral superior desde a infra-oculsão máxima até a supra-oculsão máxima, enquanto o médico estabiliza o músculo frontal com o polegar para evitar sua interferência. Valores acima de 12-15 mm são considerados normais; 8-11 mm função boa; 5-7 mm função regular; e abaixo de 4 mm função ruim. Essa medida é o parâmetro mais importante para decidir a técnica cirúrgica: ressecção do elevador (função boa/regular) vs. suspensão frontal (função ruim).
Embora ambas sejam abordagens posteriores, a técnica de Fasanella-Servat clássica inclui a ressecção de uma pequena porção do tarso superior (cerca de 2-3 mm), além do músculo de Müller e conjuntiva. Já a ressecção isolada do músculo de Müller (técnica de Putterman) poupa o tarso, baseando-se apenas no encurtamento do músculo simpático-inervado. A escolha depende da resposta ao teste da fenilefrina: se a pálpebra sobe para a posição desejada após o colírio, a ressecção de Müller é preferível; se a subida for insuficiente, a Fasanella-Servat pode ser considerada.
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