CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Na cirurgia de correção de blefaroptose congênita grave, com função do levantador menor que 4mm, qual material, geralmente, é utilizado para exercer a suspensão palpebral ao músculo frontal?
Ptose grave + função do levantador < 4mm → Suspensão ao frontal com fáscia lata.
A técnica de suspensão ao músculo frontal é indicada quando a função do músculo levantador é precária. A fáscia lata é o material biológico preferencial devido à sua durabilidade e biocompatibilidade.
A blefaroptose congênita resulta frequentemente de uma distrofia miogênica do músculo levantador da pálpebra superior, onde o tecido muscular é substituído por tecido fibroso ou adiposo. A avaliação da função do levantador é o passo mais crítico no planejamento cirúrgico. Para funções entre 5-11 mm, a ressecção do levantador costuma ser eficaz. No entanto, na ptose grave com função < 4 mm, a conexão mecânica da pálpebra ao músculo frontal permite que o paciente eleve a pálpebra através da contração da testa. A técnica de Crawford utilizando fáscia lata é a abordagem clássica, proporcionando resultados estéticos e funcionais estáveis para prevenir a ambliopia em crianças.
A suspensão ao frontal é indicada principalmente em casos de ptose palpebral grave (queda acentuada da pálpebra) onde a função do músculo levantador da pálpebra superior é considerada pobre ou precária, geralmente definida como uma excursão menor que 4 mm. Nesses casos, o músculo levantador não tem força suficiente para elevar a pálpebra mesmo após encurtamento cirúrgico, sendo necessário utilizar a força do músculo frontal para realizar essa função.
A fáscia lata, especialmente a autógena (retirada do próprio paciente), é considerada o padrão-ouro por ser um material biológico com excelente biocompatibilidade, baixo risco de infecção ou extrusão e alta durabilidade a longo prazo. Fios sintéticos, como o nylon ou silicone, podem ser usados em crianças muito pequenas (onde a fáscia lata ainda não está bem desenvolvida) ou como alternativa, mas apresentam maior taxa de recorrência da ptose e granulomas de corpo estranho.
As complicações incluem o lagoftalmo (incapacidade de fechar totalmente o olho), que pode levar à ceratite de exposição, especialmente durante o sono. Outras complicações possíveis são a assimetria palpebral, infecção do sítio cirúrgico (tanto na pálpebra quanto na coxa, se usada fáscia autógena), formação de granulomas e perda da curvatura natural da pálpebra (entrópio ou ectrópio marginal).
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