Diagnóstico Diferencial de Blefaroptose Aponeurótica

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Paciente adulto caucasiano apresenta bilateralmente os seguintes achados: fenda palpebral de 5 mm, distância margem-reflexo superior de 1 mm, distância margem-reflexo inferior de 5 mm e função do levantador da pálpebra superior de 14mm. O diagnóstico provável é:

Alternativas

  1. A) Blefaroptose Aponeurótica.
  2. B) Blefaroptose Neurogênica.
  3. C) Ectrópio cicatricial.
  4. D) Retração palpebral distireoidiana.

Pérola Clínica

Ptose em adulto + Função do levantador preservada (>12mm) + Sulco alto = Causa Aponeurótica.

Resumo-Chave

A ptose aponeurótica decorre da desinserção ou deiscência da aponeurose do levantador, mantendo a força muscular (função) intacta, mas com posicionamento palpebral baixo.

Contexto Educacional

A blefaroptose aponeurótica é a forma mais comum de ptose adquirida no adulto. Sua fisiopatologia envolve a deiscência, desinserção ou o alongamento da aponeurose do músculo levantador da pálpebra superior em relação à sua inserção na placa tarsal. Causas comuns incluem o envelhecimento (ptose involucional), trauma ocular, cirurgias intraoculares prévias (devido ao uso de blefarostatos) e uso crônico de lentes de contato rígidas. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade: ptose palpebral, função do músculo levantador normal/excelente e sulco palpebral alto. A diferenciação de outras causas, como a ptose miogênica (ex: miastenia gravis, onde há fadiga e baixa função) ou neurogênica (ex: paralisia do III par, com alterações pupilares e de motilidade), é fundamental para o planejamento cirúrgico, que na causa aponeurótica geralmente envolve o avanço ou reincerção da aponeurose.

Perguntas Frequentes

O que define a função do músculo levantador como 'excelente'?

A função do músculo levantador da pálpebra superior (MLPS) é avaliada medindo-se a excursão da margem palpebral desde a infra-versão máxima até a supra-versão máxima, enquanto se estabiliza o músculo frontal para evitar sua contribuição. Uma função é considerada excelente quando a excursão é superior a 13 ou 14 mm. No caso da ptose aponeurótica, a função do levantador costuma estar preservada (normalmente >12 mm), pois o problema não reside na contratilidade muscular em si, mas sim na transmissão dessa força para a placa tarsal devido à desinserção ou alongamento da aponeurose.

Qual a importância da Distância Margem-Reflexo (MRD) no diagnóstico?

A MRD1 (distância entre o reflexo de luz na córnea e a margem da pálpebra superior) é a medida clínica mais utilizada para quantificar a ptose. O valor normal é de aproximadamente 4 a 5 mm. Uma MRD1 de 1 mm, como no caso clínico, indica uma ptose moderada a grave. Já a MRD2 (distância entre o reflexo e a margem inferior) ajuda a avaliar a fenda palpebral total e a posição da pálpebra inferior. Na ptose aponeurótica, a MRD1 está reduzida, mas a função do levantador permanece normal, o que diferencia esta condição de causas neurogênicas ou miogênicas.

Quais são os sinais clínicos típicos da ptose aponeurótica?

Além da MRD1 reduzida e da função do levantador preservada, a ptose aponeurótica (frequentemente chamada de involucional ou senil) apresenta características semiológicas marcantes: 1) Sulco palpebral superior alto ou ausente, devido à retração da aponeurose desinserida; 2) Pálpebra superior que 'atrasa' na infra-versão (lid lag); 3) Frequentemente é bilateral, embora possa ser assimétrica; 4) Afinamento da pálpebra superior, permitindo por vezes a visualização da íris através da pele e do músculo orbicular.

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