CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Paciente com 9 anos de idade comparece ao pronto-socorro apresentando vesículas e algumas crostas na pálpebra superior esquerda há 4 dias. A conjuntiva deste olho apresenta hiperemia discreta. Existem poucos folículos na conjuntiva palpebral inferior. A córnea não cora com fluoresceína. As pálpebras e a conjuntiva do olho contralateral não apresentam alterações. A mãe informa que a criança usou dipirona há 5 dias, devido ao quadro febril. É correto afirmar que:
Vesículas palpebrais + folículos + córnea íntegra → provável etiologia viral (Herpes) autolimitada.
A presença de vesículas e reação folicular em crianças sugere infecção viral, frequentemente por Herpes Simplex. Se não há acometimento corneano, o quadro pode ser autolimitado e manejado com observação.
O diagnóstico de lesões palpebrais vesiculares em crianças exige uma inspeção cuidadosa da pele e da superfície ocular. A história de febre e uso de medicamentos pode confundir o clínico, sugerindo reações de hipersensibilidade, mas a morfologia das lesões (vesículas e crostas) e a reação conjuntival folicular direcionam fortemente para a etiologia viral. A ausência de coramento por fluoresceína descarta, no momento do exame, a ceratite epitelial. No entanto, esses pacientes devem ser monitorados, pois a ceratite pode se desenvolver tardiamente. O manejo inicial foca em higiene local e vigilância, reservando intervenções mais agressivas para casos com ameaça à visão ou complicações corneanas.
As causas mais comuns são as infecções virais, destacando-se o Vírus Herpes Simplex (HSV) tipo 1 e o Vírus Varicela-Zoster (VZV). O HSV costuma causar vesículas agrupadas sobre base eritematosa. Outras causas incluem o molusco contagioso (lesões umbilicadas) e, raramente, reações medicamentosas graves como a Síndrome de Stevens-Johnson, embora esta última apresente envolvimento sistêmico e mucoso muito mais severo.
Folículos são aglomerados linfoides avasculares que aparecem como pequenas elevações pálidas na conjuntiva, especialmente no fórnice inferior. Eles são uma resposta imune típica a infecções virais (como adenovírus ou herpes), clamídia ou toxicidade a medicamentos tópicos. Diferenciam-se das papilas, que possuem um vaso central e são mais comuns em quadros alérgicos ou bacterianos.
O tratamento com antivirais (como aciclovir tópico ou sistêmico) é indicado quando há envolvimento da córnea (ceratite dendrítica) ou para acelerar a resolução de lesões cutâneas extensas e prevenir a disseminação. Em casos de blefaroconjuntivite herpética primária sem lesão corneana, o quadro pode ser autolimitado, mas o uso de antiviral sistêmico em crianças é frequentemente considerado para reduzir a carga viral e o risco de complicações.
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