CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2015
O quadro clínico descrito a seguir está mais frequentemente associado a qual das opções abaixo? Sensação de corpo estranho, prurido e queimação ocular, com sintomas que predominam pela manhã e melhoram durante o dia, associados à presença de crostas e escamas na borda anterior da pálpebra, que podem formar colaretes ao redor dos cílios e ulcerações nas bases dos folículos pilosos, além da madarose nos casos crônicos.
Crostas + colaretes + madarose + piora matinal → Blefarite estafilocócica.
A blefarite estafilocócica é uma inflamação crônica da borda palpebral anterior, mediada por toxinas do S. aureus, resultando em colaretes e perda de cílios.
A blefarite estafilocócica é uma das causas mais comuns de irritação ocular crônica na prática oftalmológica. A fisiopatologia envolve a colonização anormal da margem palpebral por Staphylococcus aureus e S. epidermidis, cujas lipases e toxinas alteram o filme lacrimal e agridem o epitélio. O diagnóstico é clínico, baseado na inspeção em lâmpada de fenda. É fundamental diferenciar a blefarite anterior (estafilocócica e seborreica) da posterior (disfunção das glândulas de Meibomius), embora frequentemente coexistam. A cronicidade pode levar a complicações como triquíase, ceratite marginal e instabilidade do filme lacrimal, exigindo manejo contínuo do paciente.
Os colaretes são escamas duras e fibrinosas que circundam a base dos cílios, típicas da infecção ou colonização excessiva por Staphylococcus aureus na margem palpebral anterior. Eles se formam a partir da dessecação de exsudatos inflamatórios e são patognomônicos para o envolvimento bacteriano crônico, diferenciando-se das escamas gordurosas da blefarite seborreica.
A madarose, ou perda definitiva dos cílios, ocorre devido à inflamação crônica e formação de pequenas ulcerações na base dos folículos pilosos. A ação de toxinas bacterianas e a resposta imune local destroem a matriz do pelo, levando à queda e impedindo o repovoamento, o que é um sinal de gravidade e cronicidade da doença.
O tratamento baseia-se na higiene palpebral rigorosa com compressas mornas e limpeza das crostas com xampus neutros. Em casos moderados a graves, utiliza-se pomadas de antibióticos (como bacitracina ou eritromicina) na borda palpebral e, por vezes, associação com corticoides tópicos de baixa potência para controle da inflamação.
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