CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Paciente com trabeculectomia prévia há sete anos no olho esquerdo, procura atendimento apresentando pressão intraocular 5 mmHg, bolha avascular com sinal de Seidel positivo, secreção muco purulenta, hiperemia conjuntival, câmara anterior formada sem células, fundo de olho sem alterações. Qual a melhor conduta no momento?
Blebite (sem vitrite) → Antibióticos tópicos de amplo espectro (ex: quinolonas de 4ª geração).
A blebite é uma infecção da bolha filtrante sem envolvimento vítreo. O tratamento inicial foca em antibioticoterapia tópica intensiva para prevenir endoftalmite.
A infecção relacionada à bolha filtrante é uma complicação potencialmente devastadora da trabeculectomia, podendo ocorrer meses ou anos após o procedimento (infecção tardia). O uso de antimetabólitos como a Mitomicina C durante a cirurgia cria bolhas mais finas e avasculares, que são mais suscetíveis à transigência bacteriana. O diagnóstico diferencial entre blebite e endoftalmite associada à bolha é crucial. Na blebite, a inflamação é confinada à bolha e ao segmento anterior. Se houver dor intensa, perda súbita de visão e, principalmente, opacidades vítreas ao exame de fundo de olho ou ultrassonografia, o diagnóstico passa a ser endoftalmite, exigindo conduta agressiva com injeções intravítreas de antibióticos e possível vitrectomia.
A blebite é uma infecção bacteriana localizada na bolha de filtração após uma cirurgia de glaucoma (trabeculectomia). Caracteriza-se por uma bolha opaca, leitosa, com presença de material purulento em seu interior, associada a hiperemia conjuntival perilesional. Diferencia-se da endoftalmite pela ausência de reação inflamatória importante no vítreo (vitrite) e, geralmente, pela manutenção de uma visão razoável, embora a câmara anterior possa apresentar células (hipópio leve).
O sinal de Seidel positivo indica que há um vazamento de humor aquoso através da conjuntiva que recobre a bolha. Em um paciente com sinais de infecção, isso sugere que a barreira protetora está comprometida, facilitando a entrada de microrganismos. A hipotonia (PIO 5 mmHg) é uma consequência direta desse vazamento. O manejo deve focar na eliminação da infecção antes de qualquer tentativa de reparo cirúrgico da fístula.
O tratamento padrão envolve o uso intensivo de antibióticos tópicos de amplo espectro. Quinolonas de quarta geração (como moxifloxacino ou gatifloxacino) são frequentemente utilizadas devido à sua excelente penetração tecidual e cobertura contra gram-positivos e gram-negativos. Em casos mais graves, podem-se utilizar colírios fortificados (ex: vancomicina e ceftazidima). O acompanhamento deve ser diário para garantir que a infecção não progrida para o segmento posterior.
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