Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023
Mulher de 63 anos é atendida com o relato de 4 dias de diarreia, mas já resolvida. Seus sintomas eram leves, com fezes aquosas e não sanguinolentas. Relata que teve cólicas abdominais leves, mas sem febre, náuseas ou vômitos. Ela nega qualquer contato recente com pessoas doentes e não fez nenhuma viagem nos últimos anos. O exame de fezes que ela havia feito há 4 dias veio positivo para Blastocystis hominis. No momento, ela encontra-se em bom estado geral, sem sintomas. Em relação à infecção pelo Blastocystis hominis, é correto afirmar:
Blastocystis hominis: controverso patógeno. Achado comum, frequentemente assintomático ou coinfectado. Tratamento só se sintomas persistentes e exclusão de outras causas.
O Blastocystis hominis é um parasita intestinal de patogenicidade controversa. É frequentemente encontrado em indivíduos assintomáticos ou em coinfecção com outros patógenos. A decisão de tratar deve ser individualizada, considerando a persistência dos sintomas e a exclusão de outras causas de diarreia.
Blastocystis hominis é um protozoário intestinal comum, encontrado em humanos e animais em todo o mundo. Sua prevalência é maior em regiões com saneamento deficiente, mas também é detectado em países desenvolvidos. A patogenicidade do Blastocystis hominis é um tema de debate na literatura médica, pois ele é frequentemente isolado tanto em indivíduos assintomáticos quanto em pacientes com sintomas gastrointestinais. Quando associado a sintomas, estes podem incluir diarreia (geralmente aquosa, não sanguinolenta), dor abdominal, náuseas, flatulência e fadiga. No entanto, é crucial investigar outras causas de sintomas gastrointestinais, pois o Blastocystis hominis é frequentemente encontrado em coinfecção com outros patógenos intestinais (bactérias, vírus, outros parasitas) em mais de 50% dos casos sintomáticos. A simples detecção do parasita não é suficiente para atribuir a ele a causa dos sintomas. O tratamento com antiparasitários como metronidazol ou nitazoxanida é geralmente reservado para pacientes com sintomas persistentes e significativos, após a exclusão de outras etiologias e quando o Blastocystis hominis é o único agente identificado ou está presente em grande número. Em pacientes assintomáticos ou com sintomas leves e autolimitados, como no caso da questão, o tratamento pode não ser necessário, e a conduta expectante é razoável, focando na resolução espontânea e na exclusão de outras causas. Não há uma associação clara e consistente com Doença Inflamatória Intestinal que justifique tratamento apenas pela presença do parasita.
Não, a patogenicidade do Blastocystis hominis é controversa. Ele é frequentemente encontrado em indivíduos assintomáticos e sua presença nem sempre significa que é a causa dos sintomas gastrointestinais.
O tratamento é geralmente considerado para pacientes com sintomas gastrointestinais persistentes e inexplicáveis, após a exclusão de outras causas infeccias ou não infecciosas, e quando o parasita é encontrado em grande quantidade.
As opções de tratamento incluem metronidazol, nitazoxanida e iodoquinol. A escolha depende da resposta clínica e da sensibilidade do parasita, embora a evidência de benefício seja variável.
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