Biópsia Prostática: Manejo de Infecção Urinária Assintomática

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 62 anos é assintomático. Será submetido a biópsia prostática. Não possui comorbidades conhecidas, nega uso regular de medicamentos, possui alergia a penicilina. O exame físico não apresenta anormalidades. Exames de laboratório: hemoglobina 14,5g/dL, leucócitos 6.780/mm³, neutrófilos 3.450/mm³, plaquetas 198.000/mm³, proteína C reativa 0,4mg/dL, creatinina 0,7mg/dL. Exame de urina: nitrito positivo, 15 piócitos por campo, 3 hemácias por campo, presença de bastonetes Gram negativos. Urocultura: E. coli 100.000 UFC, resistente a sulfametoxazol-trimetoprim; sensível a ampicilina, nitrofurantoína, ciprofloxacino, ceftriaxona, cefepime, meropenem, gentamicina.Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a conduta MAIS ADEQUADA para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Prescrever amoxicilina-clavulanato por 3 dias e realizar a biópsia em seguida.
  2. B) Prescrever ciprofloxacino meia hora antes da biópsia e manter por 24h para profilaxia cirúrgica.
  3. C) Prescrever nitrofurantoína por 5 dias e repetir o exame de urina antes da realização da biópsia.
  4. D) Realizar a biópsia prostática, manter vigilância infecciosa e prescrever antibiótico em caso de sintomas infecciosos.

Pérola Clínica

Biópsia prostática com bacteriúria assintomática → tratar infecção antes do procedimento para evitar sepse.

Resumo-Chave

Pacientes com bacteriúria assintomática, mesmo sem sintomas, devem ter a infecção tratada antes de procedimentos invasivos como a biópsia prostática, para prevenir complicações infecciosas graves, como sepse. A escolha do antibiótico deve ser guiada pela urocultura e perfil de sensibilidade.

Contexto Educacional

A biópsia prostática é um procedimento diagnóstico comum para câncer de próstata, mas carrega um risco significativo de complicações infecciosas, especialmente em pacientes com infecção do trato urinário (ITU) preexistente. A bacteriúria assintomática, definida pela presença de bactérias na urina sem sintomas, é um fator de risco importante. Nesse contexto, a identificação e o tratamento da bacteriúria assintomática antes do procedimento são mandatórios. A urocultura com antibiograma é a ferramenta essencial para guiar a escolha do antibiótico, garantindo que a terapia seja eficaz contra o patógeno específico. A falha em tratar essa condição pode levar a quadros graves de sepse pós-procedimento. Para residentes, é vital reconhecer a importância da avaliação pré-operatória completa, incluindo exames de urina, e a necessidade de individualizar a profilaxia antibiótica. A nitrofurantoína, embora não seja a primeira escolha para profilaxia de biópsia, é uma opção eficaz para tratar ITUs baixas e pode ser usada para erradicar a infecção antes de um procedimento, se sensível.

Perguntas Frequentes

Por que tratar a bacteriúria assintomática antes de uma biópsia prostática?

O tratamento da bacteriúria assintomática é crucial antes de procedimentos invasivos como a biópsia prostática para reduzir significativamente o risco de sepse e outras infecções graves, que podem ser fatais.

Qual a importância da urocultura e antibiograma nesse cenário?

A urocultura com antibiograma é fundamental para identificar o agente etiológico e seu perfil de sensibilidade, permitindo a escolha do antibiótico mais eficaz e direcionado, minimizando a resistência e otimizando o tratamento.

Quais antibióticos são comumente usados para profilaxia em biópsia prostática?

Ciprofloxacino é frequentemente usado para profilaxia em biópsia prostática, mas em casos de resistência, outras opções como aminoglicosídeos ou cefalosporinas de terceira geração podem ser consideradas, sempre guiadas pelo antibiograma.

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