Câncer de Próstata: Quando Indicar Biópsia Prostática?

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um senhor de 68 anos de idade, portador de obesidade Grau II, hipertensão arterial sistêmica diabetes melitus tipo 2 e tabagista, apresentou, durante a realização de exames complementares pré-operatórios para a colocação de balão intragástrico PSA (antígino prostático específico) igual a 6,0ng/ml, com PSA livre de 1,2g/dl. O paciente não apresentava nenhuma queixa prostática e, no exame físico, o toque retal identificou um endurecimento do lobo prostático esquerdo. Cintilografia óssea e tomografia do Tórax, abdômen e pelve foram normais, assim como os níveis séricos de fosfatase alcalina e ácida. Assinale a alternativa que contém a conduta diagnóstica CORRETA:

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada uma biópsia do Lobo esquerdo da próstata guiada por ultrassonografia transretal.
  2. B) Deve ser realizada uma biópsia bilateral da próstata guiada por ultrassonografia transretal.
  3. C) Deve ser feito apenas acompanhamento regular com exame físico e PSA, uma vez que a relação PSA livre/PSA total é maior que 10% e o paciente está assintomático, o que indica hiperplasia prostática benigna.
  4. D) Deve ser realizada o mais rapidamente possível um prostatectomia curativa, uma vez que a relação PSA livre/PSA total é menor que 25% e o paciente não apresenta evidências de metástases à distância.

Pérola Clínica

PSA > 4 ng/mL ou toque retal alterado → biópsia prostática, especialmente se PSA livre/total < 25%.

Resumo-Chave

Um PSA total elevado (>4 ng/mL) associado a um toque retal alterado (nódulo ou endurecimento) ou uma relação PSA livre/total < 25% são fortes indicadores para a realização de biópsia prostática. A biópsia deve ser guiada por ultrassonografia transretal e geralmente é bilateral para aumentar a sensibilidade diagnóstica.

Contexto Educacional

O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais comum entre homens no Brasil, com alta prevalência em idosos. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento e a redução da mortalidade. A avaliação inicial envolve o toque retal e a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA) total e livre. A fisiopatologia do câncer de próstata envolve o crescimento descontrolado de células epiteliais da glândula prostática, muitas vezes influenciado por fatores genéticos e hormonais. O diagnóstico é suspeitado por alterações no toque retal (nódulos, endurecimento) e/ou elevação do PSA total, especialmente se a relação PSA livre/total for baixa (<25%). Exames de imagem como ultrassonografia transretal auxiliam na guia da biópsia, que é o padrão-ouro para confirmação histopatológica. A conduta diagnóstica correta diante de um paciente com PSA elevado, toque retal alterado e relação PSA livre/total sugestiva de malignidade é a biópsia prostática transretal guiada por ultrassonografia. Mesmo que a alteração seja unilateral, a biópsia bilateral é recomendada para maximizar a detecção. O estadiamento da doença, com exames como cintilografia óssea e tomografia, é realizado após a confirmação histopatológica para determinar a extensão do tumor e guiar o tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais indicadores para biópsia de próstata?

Os principais indicadores incluem PSA total elevado (>4 ng/mL), relação PSA livre/total abaixo de 25% e achados suspeitos no toque retal, como nódulos ou endurecimento.

Por que a biópsia de próstata é geralmente bilateral?

A biópsia é bilateral para garantir uma amostragem adequada de diferentes regiões da próstata, aumentando a chance de detectar focos de câncer, mesmo que a alteração seja unilateral.

Qual a importância da relação PSA livre/total no diagnóstico do câncer de próstata?

A relação PSA livre/total ajuda a diferenciar hiperplasia prostática benigna de câncer. Valores abaixo de 25% aumentam a probabilidade de câncer, enquanto valores mais altos sugerem benignidade.

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