UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020
Uma paciente de 53 anos queixa-se da presença de uma pinta no antebraço direito, que cresceu nos últimos 6 meses e passou a apresentar sangramento devido ao atrito com a roupa. Sem outras queixas. Ao exame físico, é digna de nota a presença de mácula pigmentada na face posterior do antebraço direito, de aproximadamente 8 mm no maior diâmetro, mais enegrecida no centro e acastanhada na periferia, assimétrica e de borda irregular. Considerando que o exame físico foi completa e adequadamente realizado e que a única alteração é a descrita sobre a lesão pigmentada, assinale a conduta que se deve seguir.
Lesão suspeita de melanoma: biópsia excisional com margem de 2-3 mm para diagnóstico. Não é excisão definitiva.
Diante de uma lesão pigmentada com características suspeitas de melanoma (critérios ABCD: Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro >6mm, Evolução), a conduta inicial é a biópsia excisional. Para fins diagnósticos, a margem de segurança recomendada é pequena (2-3 mm), permitindo uma avaliação histopatológica completa sem comprometer uma eventual excisão definitiva com margens maiores, se o diagnóstico for confirmado.
O melanoma é um câncer de pele com alto potencial metastático, e o diagnóstico precoce é fundamental para um bom prognóstico. A suspeita clínica de melanoma baseia-se nos critérios ABCD (Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro >6mm e Evolução). A presença de sangramento espontâneo em uma lesão pigmentada é um sinal de alerta que exige investigação imediata. Diante de uma lesão pigmentada com características suspeitas, a conduta inicial padrão-ouro é a biópsia excisional. Este procedimento consiste na remoção completa da lesão com uma pequena margem de pele normal ao redor, geralmente de 2 a 3 mm. O objetivo desta biópsia é obter material suficiente para o exame histopatológico, que confirmará ou descartará o diagnóstico de melanoma e determinará características importantes como a espessura de Breslow, presença de ulceração e índice mitótico, que são cruciais para o estadiamento. É importante ressaltar que esta biópsia excisional é para fins diagnósticos e não deve ser confundida com a excisão local ampliada definitiva, que é realizada após a confirmação do melanoma e com margens de segurança maiores, determinadas pela espessura do tumor. A biópsia de linfonodo sentinela, que avalia a disseminação para os linfonodos regionais, também não é realizada no momento da biópsia diagnóstica, mas sim em um segundo tempo, se o melanoma for confirmado e tiver características que justifiquem a sua indicação (geralmente Breslow ≥ 0,8 mm ou ulceração).
Uma lesão pigmentada suspeita de melanoma geralmente apresenta características como assimetria, bordas irregulares, múltiplas cores (preto, marrom, azul, vermelho, branco), diâmetro maior que 6 mm e, principalmente, evolução ou mudança recente de tamanho, forma ou cor. Sangramento espontâneo também é um sinal de alerta.
A biópsia excisional remove toda a lesão com uma pequena margem de segurança (2-3 mm) e é preferível para lesões suspeitas de melanoma, pois permite uma avaliação histopatológica completa da espessura de Breslow. A biópsia incisional (punch ou shave) remove apenas uma parte da lesão e é geralmente reservada para lesões muito grandes ou em locais de difícil excisão total, mas pode subestimar a espessura do tumor.
A biópsia de linfonodo sentinela é indicada para estadiamento em pacientes com melanoma invasivo com espessura de Breslow ≥ 0,8 mm ou com ulceração, mesmo em tumores mais finos. Ela serve para identificar a presença de metástases nos linfonodos regionais e guiar o tratamento subsequente, não sendo parte da biópsia diagnóstica inicial.
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