UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente de 39 anos, com IMC de 40 kg/m², consultou na UBS por sangramento uterino irregular e volumoso, quadro iniciado há 8 meses. O último ocorrera há 4 dias. Informou fazer uso de enalapril e manifestou desejo de gestar. Não foram constatadas alterações ao exame especular. Trouxe resultados de um hemograma (normal) e da dosagem de progesterona (baixa), exames realizados há 2 dias. A ultrassonografia revelou endométrio de 20 mm de espessura e presença de um mioma subseroso de 3,0 cm na parede posterior e de um intramural de 2,0 cm na parede anterior. Qual a conduta mais adequada?
Endométrio > 12-15mm em pré-menopausa com SUA + fatores risco (obesidade) → Biópsia endometrial para excluir hiperplasia/câncer.
Em pacientes com sangramento uterino anormal e fatores de risco como obesidade, um endométrio espessado na ultrassonografia (especialmente >12-15mm em pré-menopausa) exige investigação histopatológica para descartar hiperplasia endometrial ou carcinoma, mesmo com desejo de gestar.
O sangramento uterino anormal (SUA) é uma queixa ginecológica comum, especialmente em mulheres na perimenopausa e pré-menopausa. Sua investigação é crucial para identificar causas benignas e malignas, sendo um tema frequente em provas de residência e essencial na prática clínica. A avaliação do SUA deve incluir ultrassonografia transvaginal. Um endométrio espessado (>12-15mm em pré-menopausa) em paciente com fatores de risco como obesidade, anovulação crônica ou uso de tamoxifeno, levanta a suspeita de hiperplasia endometrial ou carcinoma. A biópsia endometrial é o padrão-ouro para o diagnóstico histopatológico. A conduta inicial para SUA com endométrio espessado é a biópsia endometrial para descartar malignidade. Somente após a exclusão de lesões pré-malignas ou malignas, outras opções terapêuticas podem ser consideradas, como o tratamento hormonal para regularizar o ciclo ou a abordagem dos miomas, se estes forem sintomáticos e não houver contraindicação.
Os principais fatores de risco incluem obesidade, anovulação crônica, terapia estrogênica sem progesterona, tamoxifeno e síndrome dos ovários policísticos.
Não há um consenso absoluto, mas espessuras acima de 12-15 mm em pacientes com sangramento uterino anormal e fatores de risco geralmente justificam a biópsia.
A obesidade leva ao aumento da aromatização periférica de androgênios em estrogênios, causando um estímulo estrogênico contínuo e desequilibrado no endométrio.
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