CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Qual das formas de iluminação no exame biomicroscópico é a mais apropriada para identificar reação inflamatória de câmara anterior?
Reação de câmara anterior (células/flare) → Iluminação Direta e Focal (fenda estreita).
A iluminação direta focal é a técnica de escolha para detectar células e flare no humor aquoso, utilizando o efeito Tyndall em um feixe de luz cônico ou em fenda.
A biomicroscopia com lâmpada de fenda é a ferramenta diagnóstica mais importante na oftalmologia. A identificação de reação de câmara anterior é o sinal cardeal das uveítes anteriores. A técnica de iluminação direta focal permite que a luz incida diretamente sobre a área de interesse, criando um contraste nítido contra o fundo escuro da pupila. Além da iluminação direta focal, outras técnicas como a retroiluminação (para ver transiluminação de íris ou precipitados ceráticos) e a iluminação indireta (para detalhes de borda) complementam o exame. No entanto, para a quantificação precisa da inflamação intraocular, a focalização direta do feixe no aquoso é insubstituível na prática clínica diária do residente e do especialista.
Deve-se utilizar um feixe de luz curto e estreito (fenda pequena ou ponto cônico) com intensidade máxima de luz. O examinador deve focar o feixe no espaço entre a córnea e o cristalino (humor aquoso) sob grande aumento (16x ou 25x). A sala deve estar completamente escura para maximizar o contraste e permitir a visualização do efeito Tyndall.
O efeito Tyndall é a dispersão da luz por partículas coloidais em suspensão em um meio transparente. Na câmara anterior, o humor aquoso normal é opticamente vazio. Na presença de inflamação, proteínas (flare) e células inflamatórias dispersam a luz da lâmpada de fenda, tornando o feixe visível no aquoso, semelhante a um raio de sol iluminando a poeira em um quarto escuro.
Células representam a presença de leucócitos e indicam atividade inflamatória aguda. O flare representa o extravasamento de proteínas devido à quebra da barreira hemato-aquosa. Ambos são graduados de 0 a 4+ segundo o sistema SUN (Standardization of Uveitis Nomenclature), sendo fundamentais para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento de uveítes.
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