CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Um paciente apresenta catarata rubra no olho direito e incipiente no olho esquerdo. A biometria óptica foi incapaz de realizar a medida no olho direito e detectou comprimento axial de 28,2 mm no olho esquerdo. À biometria ultrassônica, obteve-se comprimento axial de 32,4 mm no olho direito e 28,1 mm no olho esquerdo. Sobre o caso acima, assinale a alternativa correta.
AL > 26mm ou diferença interocular > 0.3mm → Biometria modo B para excluir estafiloma posterior.
Em olhos com alta miopia e cataratas densas, a biometria ultrassônica guiada por modo B é essencial para garantir que a medida do comprimento axial ocorra na fóvea e não em um estafiloma.
O manejo cirúrgico da catarata em pacientes com alta miopia exige precisão extrema no cálculo da lente intraocular (LIO). O comprimento axial (AL) é a variável que mais impacta o resultado refracional. Em olhos longos (AL > 26,0 mm), a anatomia do polo posterior é frequentemente irregular devido a estafilomas. A biometria ultrassônica de imersão é preferível ao contato para evitar compressão corneana, mas em casos de suspeita de estafiloma, a ultrassonografia modo B acoplada ao modo A (vetor A) é mandatória para identificar a depressão foveal correta. Além da medida, a escolha da fórmula de cálculo de LIO é crucial. Fórmulas de terceira geração como SRK/T podem ser usadas, mas fórmulas modernas como Barrett Universal II, Kane ou Hill-RBF tendem a oferecer resultados superiores em olhos com comprimentos axiais extremos, minimizando a surpresa refracional hipermetrópica comum nesses casos.
A biometria óptica utiliza interferometria de coerência parcial (laser). Em cataratas extremamente densas, como a rubra ou negra, a opacidade do cristalino impede a passagem do feixe de luz até a retina, impossibilitando a leitura do comprimento axial. Nesses casos, a biometria ultrassônica torna-se o padrão-ouro.
O modo A é unidimensional e não permite visualizar a anatomia do polo posterior. Em pacientes com alta miopia, a presença de estafilomas posteriores (ectasias da esclera) pode fazer com que o feixe do modo A meça o fundo da ectasia em vez da fóvea. O modo B permite a visualização bidimensional, garantindo que o cursor seja posicionado corretamente na mácula.
Deve-se suspeitar de erro quando há uma diferença interocular superior a 0,3 mm, quando o comprimento axial não condiz com a refração prévia do paciente ou quando as medidas obtidas por métodos diferentes (óptica vs ultrassônica) apresentam discrepâncias significativas, como no caso clínico apresentado.
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