CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Um paciente apresentou no pré-operatório de cirurgia de catarata medidas ceratométricas de 44,00 D x 44,00 D e medida do comprimento axial de 22,0mm. Uma lente intraocular de + 25,00 D foi implantada com planejamento da refração-alvo para emetropia. Após três meses de pós-operatório, obteve-se refração de -2,50 DE. Dentre as alternativas abaixo, assinale a que correlaciona corretamente o exame realizado no pré-operatório e uma possível causa para o resultado refracional no pós-operatório:
Compressão na biometria ultrassônica → ↓ Comprimento Axial → ↑ Poder da LIO → Miopia pós-op.
A compressão da córnea pela sonda de ultrassom de contato reduz artificialmente o comprimento axial medido, resultando no cálculo de uma LIO com poder excessivo e consequente surpresa miópica.
A precisão do cálculo da lente intraocular (LIO) é fundamental para o sucesso da cirurgia de catarata moderna, que hoje possui caráter refrativo. O comprimento axial (AL) é a variável mais crítica nas fórmulas de terceira e quarta geração. Erros de 0,1 mm na medição do AL podem resultar em erros refracionais de aproximadamente 0,25 D a 0,30 D. A biometria ultrassônica de contato é historicamente associada a erros de subestimação do AL devido à compressão mecânica do ápice corneano. Atualmente, a biometria óptica (interferometria de coerência parcial) é o padrão-ouro, mas em casos de cataratas extremamente densas ou opacidades de meios, o ultrassom (preferencialmente por imersão) continua sendo indispensável.
Durante a biometria ultrassônica de contato, a pressão da sonda sobre a córnea pode reduzir o comprimento axial (AL) medido. Como as fórmulas de cálculo de LIO entendem que um olho menor precisa de uma lente mais potente para focar a luz na retina, o cirurgião acaba implantando uma lente com poder dióptrico superior ao necessário. No pós-operatório, com a córnea em sua posição original, o olho se comporta como 'longo' para aquela lente, resultando em miopia (surpresa miópica).
Na biometria de contato, a sonda toca diretamente a córnea, correndo o risco de indentação. Na técnica de imersão, utiliza-se uma cuba com soro fisiológico entre a sonda e o olho, eliminando o contato direto e a compressão corneana, o que torna a medida do comprimento axial muito mais precisa e reprodutível, assemelhando-se à precisão da biometria óptica em muitos casos.
Identifica-se quando a refração pós-operatória é significativamente mais negativa do que o alvo planejado (emetropia, no caso). Se o erro for de aproximadamente 2,50 D para cada 1 mm de erro no comprimento axial, e a ceratometria estiver correta, a causa provável é a subestimação do comprimento axial durante o exame pré-operatório.
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