USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem de 31 anos vítima de ferimento por arma de fogo há 3 anos com destruição de L5 evoluindo com bexiga neurogênica e dificuldade para promover o esvaziamento vesical. Faz uso de sonda vesical de demora (SVD) com sistema aberto (sem extensão e bolsa coletora acoplados) e ocluído, que é aberto a cada 6 horas para promover o esvaziamento vesical. No último ano, apresentou 5 episódios de infecção urinária febril, tendo sido dois deles tratados em ambiente hospitalar para antibioticoterapia endovenosa. Há 6 meses, começou a apresentar perda urinária adjacente a SVD antes de promover o esvaziamento vesical, necessitando utilizar forro ou fralda. A ultrassonografia do aparelho urinário evidenciou rins sem dilatação e bexiga de boa capacidade com paredes finas, creatinina de 0,8 mg/dl, proteína C reativa de 2,5 mg/L e cultura de urina positiva para E. coli. Preocupado com as infecções e perdas urinárias, o paciente deseja orientação. Qual a melhor conduta?
Bexiga neurogênica com SVD + ITU febril recorrente + perda urinária → Retirar SVD e iniciar cateterismo intermitente limpo.
O uso de sonda vesical de demora (SVD), especialmente em sistema aberto e com esvaziamento intermitente, aumenta drasticamente o risco de infecções urinárias e complicações. A presença de ITU febril recorrente e perda urinária adjacente à SVD são indicações claras de falha do manejo atual. O cateterismo intermitente limpo é a melhor opção para o esvaziamento vesical em bexiga neurogênica, reduzindo o risco de infecção e melhorando a qualidade de vida.
A bexiga neurogênica, uma disfunção vesical resultante de lesões neurológicas, é uma condição comum em pacientes com lesão medular. O manejo adequado é crucial para prevenir complicações graves, como infecções urinárias recorrentes, litíase urinária e deterioração da função renal. O paciente em questão apresenta um quadro clássico de complicações associadas ao uso inadequado de sonda vesical de demora (SVD) em sistema aberto, com infecções urinárias febris de repetição e perda urinária perissonda. A SVD, especialmente quando mantida por longos períodos e com sistema aberto, é um fator de risco significativo para bacteriúria e infecções urinárias sintomáticas. A perda urinária adjacente à sonda pode indicar espasmos vesicais ou uma sonda de calibre inadequado, mas também é um sinal de falha do manejo. A cultura de urina positiva para E. coli, mesmo com PCR normal, em um paciente sintomático (ITU febril prévia) e com fatores de risco, sugere a necessidade de intervenção. A melhor conduta para este paciente é a remoção da SVD e a introdução do cateterismo intermitente limpo (CIL). O CIL é considerado o padrão ouro para o esvaziamento vesical em pacientes com bexiga neurogênica, pois mimetiza o esvaziamento fisiológico, reduzindo drasticamente o risco de infecções e outras complicações associadas à SVD, além de melhorar a qualidade de vida e a autonomia do paciente.
O cateterismo intermitente limpo (CIL) reduz significativamente o risco de infecções urinárias, litíase e deterioração do trato urinário superior, além de melhorar a qualidade de vida e a autonomia do paciente, mimetizando um esvaziamento vesical mais fisiológico.
O CIL é a primeira escolha para pacientes com bexiga neurogênica que não conseguem esvaziar a bexiga espontaneamente, especialmente aqueles com alto risco de ITU ou complicações da SVD.
O uso prolongado de SVD está associado a infecções urinárias recorrentes, bacteriúria assintomática, litíase vesical, epididimite, prostatite, estenose uretral e, em casos graves, pielonefrite e insuficiência renal.
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