UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 53a, apresenta urgência miccional, disúria e polaciúria há dois anos. Nega perda urinária aos esforços e enurese. Já fez mudanças comportamentais e tratamento fisioterápico, sem melhora. Antecedentes: tercigesta com dois partos vaginais e um aborto anterior; função sexual normal e sem queixas intestinais. Faz uso de terapia hormonal sistêmica e tópica. Exame ginecológico=sem alterações. Urocultura= negativa.A CONDUTA É:
Bexiga hiperativa refratária (falha em terapia comportamental, fisio e fármacos) → considerar terapias de 3ª linha: toxina botulínica ou neuromodulação.
Esta paciente apresenta um quadro clássico de bexiga hiperativa (urgência, polaciúria, disúria) que não respondeu ao tratamento de primeira (comportamental) e segunda linha (fisioterapia). A conduta subsequente, na ausência de melhora com farmacoterapia (anticolinérgicos/beta-3 agonistas), é avançar para as terapias de terceira linha.
A Síndrome da Bexiga Hiperativa (BH) é uma condição urológica comum, especialmente em mulheres, caracterizada pela presença de urgência miccional, geralmente com polaciúria e noctúria, na ausência de infecção urinária ou outra patologia evidente. A condição pode impactar significativamente a qualidade de vida. O tratamento da BH segue uma abordagem escalonada. A primeira linha consiste em terapias comportamentais, como treinamento vesical, controle da ingestão de líquidos e micções programadas, além de fisioterapia do assoalho pélvico. A segunda linha é a farmacoterapia, com o uso de agentes anticolinérgicos ou agonistas beta-3 adrenérgicos, que atuam relaxando o músculo detrusor da bexiga e aumentando sua capacidade de armazenamento. Quando os pacientes não respondem ou são intolerantes a essas abordagens, considera-se a BH como refratária. Nesses casos, as terapias de terceira linha são indicadas. As opções mais estabelecidas incluem a aplicação intravesical de toxina botulínica tipo A, que quimiodenerva o músculo detrusor, e a neuromodulação sacral, um dispositivo implantável que modula os reflexos neurais que controlam a bexiga. A escolha entre as terapias avançadas depende das características do paciente, comorbidades e preferências.
O sintoma principal é a urgência miccional, definida como um desejo súbito e incontrolável de urinar. Geralmente, vem acompanhada de polaciúria (aumento da frequência diurna) e noctúria (necessidade de urinar à noite), com ou sem incontinência de urgência.
Para casos refratários à farmacoterapia (anticolinérgicos ou beta-3 agonistas), as opções de terceira linha são consideradas. As principais são a injeção de toxina botulínica A no músculo detrusor, a neuromodulação do nervo sacral ou a estimulação percutânea do nervo tibial (PTNS).
Embora ambas possam cursar com urgência e frequência, a cistite intersticial (ou síndrome da dor vesical) tem a dor pélvica como sintoma predominante. Caracteristicamente, a dor piora com o enchimento da bexiga e alivia após a micção, o que não é um critério para bexiga hiperativa.
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