Bexiga Hiperativa: Diagnóstico e Tratamento Farmacológico

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2024

Enunciado

Uma paciente de 45 anos consultou com queixas de incontinência urinária de esforço, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e urgência urinária. Apresentava ao exame físico cistocele estadio I sem perdas urinárias à manobra de Valsalva. Diante desse quadro, o médico solicitou exames de investigação das desordens do assoalho pélvico. Os resultados do estudo urodinâmico revelaram um aumento significativo do volume residual pós-miccional, detecção de perda urinária durante a tosse e urgência miccional. A uretrocistoscopia evidenciou hiperatividade vesical. Com base nessas informações, qual é a conduta indicada para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Referenciar a paciente para realização de cirurgia de sling uretral.
  2. B) Indicar a realização de procedimento cirúrgico para correção da cistocele.
  3. C) Prescrição de fármacos anticolinérgicos para reduzir a função vesical hiperativa.
  4. D) Recomendar fisioterapia do assoalho pélvico para fortalecimento do assoalho pélvico.

Pérola Clínica

Bexiga hiperativa com urgência e incontinência → anticolinérgicos são primeira linha farmacológica.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas de bexiga hiperativa (urgência, esvaziamento incompleto) e incontinência urinária de esforço, com achados urodinâmicos e cistoscópicos confirmando hiperatividade vesical. Embora haja cistocele, a conduta primária para os sintomas de hiperatividade é farmacológica.

Contexto Educacional

A bexiga hiperativa é uma síndrome clínica caracterizada por urgência urinária, com ou sem incontinência de urgência, geralmente acompanhada de frequência urinária e noctúria, na ausência de infecção urinária ou outra patologia óbvia. Afeta significativamente a qualidade de vida e sua prevalência aumenta com a idade, sendo um desafio comum na prática clínica. O diagnóstico é clínico, mas pode ser complementado por exames como o estudo urodinâmico, que avalia a função da bexiga e uretra, e a uretrocistoscopia, que descarta outras causas. A fisiopatologia envolve uma disfunção do músculo detrusor, que se contrai involuntariamente. É crucial diferenciar da incontinência urinária de esforço, embora ambas possam coexistir. O tratamento inicial inclui modificações comportamentais e fisioterapia do assoalho pélvico. Quando essas medidas são insuficientes, a terapia farmacológica com anticolinérgicos (como oxibutinina, tolterodina) ou agonistas beta-3 (como mirabegrona) é a primeira linha, visando relaxar o detrusor e reduzir a hiperatividade vesical. A cirurgia é reservada para casos refratários ou prolapsos sintomáticos.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da bexiga hiperativa?

Os principais sintomas incluem urgência urinária (desejo súbito e inadiável de urinar), com ou sem incontinência de urgência, aumento da frequência urinária diurna e noturna.

Por que os anticolinérgicos são indicados para bexiga hiperativa?

Os anticolinérgicos atuam bloqueando os receptores muscarínicos na bexiga, reduzindo as contrações involuntárias do músculo detrusor e, consequentemente, diminuindo a urgência e a frequência urinária.

Qual a diferença entre incontinência urinária de esforço e de urgência?

A incontinência de esforço ocorre com atividades que aumentam a pressão intra-abdominal (tosse, espirro), enquanto a de urgência é a perda involuntária de urina associada a um desejo súbito e forte de urinar.

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