ESBL: Definição, Mecanismos e Impacto Clínico

HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 81 anos de idade, internado em enfermaria de hospital secundário por quadro de pneumonia, em uso de ceftriaxona. No 5o dia de internação, evoluiu com delirium hipoativo, hipotensão e febre. Foi realizado novo rastreio infeccioso, sendo diagnosticada infecção do trato urinário. A urocultura foi entregue ao médico com um problema de impressão, mas era possível ler “ESBL positivo”.Identifique o significado de ESBL

Alternativas

  1. A) Enterobactéria produtora de betalactamase.
  2. B) Betalactamase de espectro estendido.
  3. C) Enterobactéria sensível à betalactamase.
  4. D) Betalactamase de baixo espectro.

Pérola Clínica

ESBL = Resistência a penicilinas, cefalosporinas (1ª-4ª ger) e aztreonam.

Resumo-Chave

As ESBLs são enzimas que hidrolisam a maioria dos betalactâmicos, incluindo cefalosporinas de amplo espectro, sendo frequentemente inibidas por inibidores de betalactamase como o clavulanato.

Contexto Educacional

As Betalactamases de Espectro Estendido (ESBL) representam um marco na evolução da resistência bacteriana. Elas derivam de mutações em genes de betalactamases mais antigas (como TEM-1 e SHV-1), que originalmente conferiam resistência apenas a penicilinas simples. A disseminação global de genes ESBL, predominantemente do tipo CTX-M, ocorreu através de plasmídeos, que são elementos genéticos móveis que facilitam a transferência de resistência entre diferentes espécies bacterianas. Clinicamente, a presença de ESBL está associada a piores desfechos, maior tempo de internação e aumento da mortalidade, principalmente devido ao atraso no início da terapia antibiótica adequada. Fatores de risco para colonização e infecção por ESBL incluem internação prolongada, uso prévio de cefalosporinas ou quinolonas, presença de dispositivos invasivos e comorbidades graves. O manejo exige não apenas a escolha correta do antimicrobiano, mas também medidas rigorosas de precaução de contato para evitar a disseminação intra-hospitalar desses clones multirresistentes.

Perguntas Frequentes

O que significa a sigla ESBL e qual sua importância?

ESBL significa 'Extended-Spectrum Beta-Lactamase' ou, em português, Betalactamase de Espectro Estendido. São enzimas produzidas principalmente por enterobactérias, como Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis. A importância clínica reside no fato de que essas enzimas conferem resistência a uma vasta gama de antibióticos betalactâmicos, incluindo todas as penicilinas, cefalosporinas de primeira, segunda, terceira (ex: ceftriaxona, ceftazidima) e quarta gerações (ex: cefepime), além do monobactâmico aztreonam. Isso limita severamente as opções terapêuticas, exigindo frequentemente o uso de antibióticos de reserva, como os carbapenêmicos, para o tratamento de infecções sistêmicas graves.

Como é feito o tratamento de infecções por patógenos ESBL?

Para infecções graves, como bacteremias, pneumonia hospitalar ou sepse de foco urinário causadas por bactérias produtoras de ESBL, os carbapenêmicos (Meropenem, Imipenem ou Ertapenem) são considerados o padrão-ouro devido à sua estabilidade contra a hidrólise por essas enzimas. Em casos de infecções urinárias baixas (cistites) não complicadas, podem ser utilizadas opções como nitrofurantoína ou fosfomicina, desde que a sensibilidade seja confirmada. O uso de combinações de betalactâmicos com inibidores de betalactamase (como Piperacilina-Tazobactam) é debatido; embora possam parecer sensíveis in vitro, estudos como o MERINO sugerem superioridade dos carbapenêmicos em infecções de alta carga bacteriana.

Como o laboratório identifica uma bactéria como ESBL positiva?

A identificação laboratorial de ESBL baseia-se na triagem inicial de resistência às cefalosporinas de terceira geração (como ceftriaxona ou cefotaxima). O teste confirmatório mais comum é o teste de sinergia de disco duplo ou o teste de disco combinado. Nestes testes, observa-se se a zona de inibição de uma cefalosporina de terceira geração aumenta significativamente quando testada em conjunto com um inibidor de betalactamase, como o ácido clavulânico. Se houver um aumento no halo de inibição (geralmente ≥ 5 mm), confirma-se a produção de ESBL, indicando que o inibidor foi capaz de neutralizar a enzima e restaurar a atividade do antibiótico.

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