PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
Renato, 64 anos, portador de diabetes e hipertensão, em uso de Metformina 1g a cada 12 horas e atenolol 25mg ao dia. Foi internado recentemente por quadro de infarto agudo do miocárdio com supra de ST sendo tratado com implante de stent farmacológico em artéria descendente anterior. Seu exame físico no dia da alta revela uma pressão arterial de 140x92 mmHg, FC: 88bpm, FR: 18ipm, sem alterações. Seus exames laboratoriais revelavam uma Hemoglobina Glicada de 7,9%, LDL de 194 mg/dL, HDL 35 mg/dL, triglicerídeos 150mg/dL e o ecocardiograma demonstra uma contratilidade normal, com fração de ejeção preservada. Sobre o caso clínico apresentado, assinale certo ou errado para a afirmação a seguir. Esse paciente deve receber uma terapia com beta bloqueadores no momento da alta, podendo ser mantido o uso do Atenolol.
Pós-IAM → Betabloqueador deve ser iniciado/mantido para redução de remodelamento e mortalidade.
O uso de betabloqueadores na alta após infarto agudo do miocárdio é classe I de recomendação, visando redução de eventos isquêmicos e mortalidade, independentemente da fração de ejeção.
A terapia com betabloqueadores é um pilar da prevenção secundária pós-IAM. Eles atuam reduzindo a carga de trabalho cardíaca e o risco de morte súbita. Em pacientes diabéticos e hipertensos, o controle rigoroso da PA e da FC é crucial para proteger a vasculatura e o stent farmacológico implantado. O benefício dos betabloqueadores se estende além do controle sintomático, influenciando a estabilização da placa aterosclerótica e a redução da incidência de arritmias ventriculares malignas. Em pacientes com fração de ejeção preservada, o tratamento deve ser mantido por pelo menos 3 anos, embora muitos especialistas recomendem o uso indefinido se bem tolerado, especialmente na presença de hipertensão arterial concomitante.
O uso de betabloqueadores após um infarto agudo do miocárdio (IAM) é fundamental porque essas drogas reduzem a demanda miocárdica de oxigênio ao diminuir a frequência cardíaca e a contratilidade. Além disso, eles possuem um efeito antiarrítmico importante e auxiliam na prevenção do remodelamento ventricular adverso. Estudos clássicos demonstram que o início precoce (nas primeiras 24 horas, se estável) e a manutenção a longo prazo reduzem significativamente a mortalidade global e o risco de reinfarto, sendo uma recomendação de classe I nas principais diretrizes nacionais e internacionais de cardiologia.
As contraindicações absolutas incluem sinais de insuficiência cardíaca aguda descompensada (congestão pulmonar), evidência de baixo débito cardíaco ou choque cardiogênico. Também são contraindicados em pacientes com bradicardia sinusal importante (FC < 50 bpm), bloqueios atrioventriculares de segundo ou terceiro grau (na ausência de marcapasso funcional) e em casos de asma brônquica grave ou broncoespasmo ativo. No caso clínico apresentado, o paciente possui fração de ejeção preservada e estabilidade hemodinâmica, o que reforça a indicação segura da medicação para controle da pressão arterial e proteção cardiovascular.
Embora o Atenolol seja um betabloqueador cardioseletivo eficaz para o controle da hipertensão e da frequência cardíaca, as diretrizes mais recentes de insuficiência cardíaca e pós-IAM com disfunção ventricular tendem a preferir betabloqueadores com evidência robusta de redução de mortalidade específica, como o carvedilol, o succinato de metoprolol ou o bisoprolol. No entanto, em pacientes com função ventricular preservada e sem insuficiência cardíaca, como o Sr. Renato, o uso do Atenolol é aceitável e eficaz para atingir as metas terapêuticas de pressão arterial e frequência cardíaca, justificando a correção da questão.
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