UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021
O uso de betabloqueadores no infarto agudo do miocárdio deve sempre ser tentado. Em qual das condições a seguir está contraindicado seu uso inicial?
Betabloqueadores no IAM: contraindicados se FC já baixa (ex: 65bpm), choque, IC descompensada, bloqueio AV avançado.
Betabloqueadores são cruciais no IAM, mas devem ser evitados se a frequência cardíaca já estiver em níveis baixos (ex: 65 bpm), pois o benefício de uma redução adicional pode ser marginal e o risco de bradicardia sintomática ou bloqueio atrioventricular pode aumentar, comprometendo a perfusão.
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é uma emergência cardiovascular que exige manejo rápido e eficaz. Os betabloqueadores são uma classe de medicamentos fundamentais no tratamento do IAM, tanto na fase aguda quanto a longo prazo, devido aos seus efeitos cardioprotetores, como a redução da demanda de oxigênio do miocárdio, prevenção de arritmias e melhora da sobrevida. No entanto, o uso de betabloqueadores não é universal e possui contraindicações importantes que devem ser rigorosamente avaliadas antes da administração. As contraindicações clássicas incluem bradicardia sinusal grave (geralmente FC < 50-60 bpm), bloqueio atrioventricular de alto grau, hipotensão significativa (PAS < 90-100 mmHg), sinais de insuficiência cardíaca descompensada (como edema pulmonar ou choque cardiogênico) e broncoespasmo ativo. A questão aponta uma frequência cardíaca persistente em 65 bpm como contraindicação. Embora 65 bpm não seja uma bradicardia grave, a interpretação pode ser que, nesse cenário, o benefício de reduzir ainda mais a frequência cardíaca com betabloqueadores é marginal, e o risco de induzir bradicardia sintomática ou bloqueio atrioventricular pode superar os potenciais benefícios, especialmente em um paciente com IAM onde a tolerância hemodinâmica pode ser limitada. A avaliação cuidadosa do estado hemodinâmico e das comorbidades é essencial para a decisão terapêutica.
As contraindicações absolutas incluem bradicardia sinusal grave (FC < 50 bpm), bloqueio atrioventricular de 2º ou 3º grau, hipotensão (PAS < 90 mmHg), insuficiência cardíaca descompensada (edema pulmonar, choque cardiogênico) e asma brônquica grave.
Embora 65 bpm não seja uma bradicardia grave, em um paciente com IAM, iniciar betabloqueadores com essa FC pode não trazer benefício adicional na redução da FC e aumentar o risco de bradicardia sintomática ou bloqueio AV, especialmente se o paciente já estiver hemodinamicamente instável.
Os betabloqueadores reduzem a demanda de oxigênio do miocárdio (diminuindo FC, PA e contratilidade), limitam a área de infarto, previnem arritmias e melhoram a sobrevida a longo prazo, sendo indicados na ausência de contraindicações.
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