UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015
Paciente do sexo feminino, 42 anos, asmática desde os 25 anos de idade, atualmente bem controlada em uso da associação Budesonida + Formoterol por via inalatória, teve última crise de broncoespasmo com necessidade de corticoide oral e beta-2 de curta duração há cerca de 1 ano. Também é portadora de hipertensão arterial sistêmica em uso de Losartana 50 mg por via oral de 12/12h. Chegou a utilizar Captopril, mas o mesmo provocou tosse. Na monitorização, vem apresentando níveis pressóricos elevados tanto pela manhã quanto à noite (em torno de 150 x 90 mmHg). Preocupada com o descontrole dos níveis pressóricos, resolveu tomar um medicamento orientado pela vizinha, o qual não lembra o nome. Após 1 semana do uso do “medicamento da vizinha”, paciente teve crise aguda de asma com necessidade de internação. Das opções abaixo, o provável medicamento orientado pela vizinha foi:
Paciente asmático → contraindicação relativa a betabloqueadores não seletivos, risco de broncoespasmo.
Betabloqueadores não seletivos, como o atenolol (embora seja cardioseletivo em doses baixas, perde a seletividade em doses mais altas), podem precipitar broncoespasmo em pacientes asmáticos. A inibição dos receptores beta-2 adrenérgicos nos brônquios impede a broncodilatação e pode levar a uma crise aguda de asma.
A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que cursa com hiperresponsividade brônquica e obstrução reversível do fluxo aéreo. O manejo de comorbidades em pacientes asmáticos exige atenção especial à farmacologia, pois alguns medicamentos podem precipitar crises. Os betabloqueadores são uma classe de anti-hipertensivos amplamente utilizados, mas seu uso em asmáticos é contraindicado ou deve ser feito com extrema cautela. A fisiopatologia da interação entre betabloqueadores e asma reside no bloqueio dos receptores beta-2 adrenérgicos, que são responsáveis pela broncodilatação. Ao serem bloqueados, a broncodilatação é impedida e pode ocorrer broncoconstrição, levando a uma crise asmática. Mesmo betabloqueadores considerados cardioseletivos (beta-1 seletivos) podem perder sua seletividade em doses mais altas ou em pacientes mais sensíveis, afetando os receptores beta-2 pulmonares. A conduta para pacientes hipertensos e asmáticos deve priorizar anti-hipertensivos que não afetem a função pulmonar, como bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), bloqueadores dos canais de cálcio ou diuréticos tiazídicos. É fundamental orientar os pacientes sobre os riscos de automedicação e a importância de discutir todos os medicamentos com o médico, especialmente em casos de comorbidades complexas.
Betabloqueadores, especialmente os não seletivos, bloqueiam os receptores beta-2 adrenérgicos nos brônquios, impedindo a broncodilatação e podendo precipitar broncoespasmo em pacientes suscetíveis, como asmáticos.
Para pacientes asmáticos, anti-hipertensivos como inibidores da ECA (se não houver tosse), bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA), bloqueadores dos canais de cálcio e diuréticos tiazídicos são geralmente considerados seguros.
Betabloqueadores cardioseletivos (beta-1 seletivos) como o metoprolol ou bisoprolol podem ser usados com extrema cautela em doses baixas, mas ainda representam um risco e devem ser evitados sempre que possível em asmáticos.
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