BAV Segundo Grau Mobitz II: Identificação no ECG e Risco

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 50 anos, hipertenso, em uso de propranolol 120 mg/dia, procura a unidade de pronto atendimento por palpitação há uma semana. O exame clínico é normal, com frequência cardíaca de 56 bpm.O ECG realizado na unidade de saúde está mostrado a seguir. Qual o ritmo cardíaco mostrado no eletrocardiograma? 

Alternativas

  1. A) BAV de segundo grau Mobitz I. 
  2. B) Bradicardia sinusal.
  3. C) BAV de primeiro grau. 
  4. D) BAV de segundo grau Mobitz II.

Pérola Clínica

BAV Mobitz II: Onda P bloqueada sem prolongamento PR progressivo; risco de progressão para BAVT.

Resumo-Chave

O BAV de segundo grau Mobitz II é caracterizado por ondas P que não são conduzidas (bloqueadas) intermitentemente, sem um prolongamento progressivo do intervalo PR antes da onda P bloqueada. Isso o diferencia do Mobitz I (Wenckebach), onde há prolongamento progressivo do PR. O Mobitz II é considerado mais grave devido ao maior risco de progressão para BAV total e instabilidade hemodinâmica.

Contexto Educacional

Os bloqueios atrioventriculares (BAV) representam distúrbios na condução do impulso elétrico dos átrios para os ventrículos. O BAV de segundo grau é classificado em Mobitz I (Wenckebach) e Mobitz II, com implicações clínicas e prognósticas distintas. A correta identificação desses ritmos no eletrocardiograma (ECG) é fundamental para o manejo adequado do paciente, especialmente em situações de emergência. O BAV de segundo grau Mobitz II é caracterizado por uma falha intermitente na condução do impulso atrial para os ventrículos, sem que haja um prolongamento progressivo do intervalo PR nos batimentos precedentes. Ou seja, algumas ondas P são seguidas por um complexo QRS, enquanto outras não, e o intervalo PR dos batimentos conduzidos permanece constante. Este tipo de bloqueio geralmente ocorre abaixo do nó AV, no feixe de His ou nas fibras de Purkinje, e é considerado mais grave que o Mobitz I. Clinicamente, o BAV Mobitz II é preocupante devido ao seu maior risco de progressão para um bloqueio atrioventricular total (BAVT) e desenvolvimento de bradicardia sintomática, síncope ou insuficiência cardíaca. Pacientes em uso de medicamentos que afetam a condução AV, como o propranolol, podem ter seus bloqueios agravados. O tratamento frequentemente envolve a implantação de um marcapasso definitivo, especialmente em pacientes sintomáticos ou com evidência de progressão do bloqueio.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de um BAV de segundo grau Mobitz II no ECG?

No BAV Mobitz II, há ondas P que não são conduzidas (bloqueadas) intermitentemente, resultando em QRS ausente. O intervalo PR dos batimentos conduzidos permanece constante antes do bloqueio, sem prolongamento progressivo.

Qual a diferença entre BAV Mobitz I e Mobitz II?

No Mobitz I (Wenckebach), o intervalo PR se prolonga progressivamente até que uma onda P seja bloqueada. No Mobitz II, o intervalo PR dos batimentos conduzidos é constante, e o bloqueio da onda P ocorre de forma abrupta e inesperada.

Qual a importância clínica de diagnosticar um BAV Mobitz II?

O BAV Mobitz II é considerado mais grave que o Mobitz I, pois indica um bloqueio mais distal no sistema de condução (feixe de His ou ramos) e tem maior risco de progressão súbita para BAV total, podendo levar a síncope e instabilidade hemodinâmica.

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