SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Um homem de 55 anos, etilista e tabagista crônico, é admitido na sala de emergência devido à hematêmese volumosa, iniciada há duas horas. Evoluiu com sinais de choque hemorrágico. Logo à admissão, foi submetido à intubação orotraqueal em sequência rápida em decorrência do alto volume do sangramento. Deu-se continuidade ao atendimento com coleta de exames laboratoriais e acesso venoso central, solicitação de tipagem sanguínea de urgência e administração de drogas vasoativas (terlipressina). Mesmo após essas medidas, o paciente mantém sinais de sangramento ativo. Considerando a gravidade do quadro, a equipe discute sobre a melhor conduta nesse momento e opta pela aplicação do balão de Sengstaken-Blakemore. Frente a essa conduta e com base nos seus conhecimentos sobre essa alternativa de tratamento, assinale a alternativa correta:
Balão de Sengstaken-Blakemore → ponte temporária (máx 24h) para controle de sangramento varicoso refratário.
O balão de Sengstaken-Blakemore é uma medida de salvamento com eficácia imediata superior a 85%, indicada na falha do tratamento farmacológico e endoscópico inicial.
O manejo da hemorragia digestiva alta varicosa (HDAV) exige uma abordagem multidisciplinar rápida. O balão de Sengstaken-Blakemore atua por compressão direta dos vasos sangrantes no esôfago e fundo gástrico. Embora altamente eficaz para cessação imediata do sangramento, ele não trata a causa base (hipertensão portal) e apresenta taxas de ressangramento elevadas após a desinsuflação. Por isso, é considerado uma terapia de resgate. A técnica correta envolve a insuflação do balão gástrico seguida de tração leve para ancoragem na cárdia, e posterior insuflação do balão esofágico se necessário. A monitorização da pressão do balão esofágico (geralmente entre 30-45 mmHg) é crucial para minimizar danos teciduais. O paciente deve ser encaminhado para tratamento definitivo assim que estabilizado.
Sua principal indicação é o controle temporário de hemorragia digestiva alta por varizes esofagogástricas que não respondeu ao tratamento farmacológico (como terlipressina ou octreotide) e endoscópico inicial, servindo como ponte para terapias definitivas como o TIPS ou cirurgia de urgência.
O balão deve ser mantido pelo menor tempo possível, idealmente não ultrapassando 24 horas. A pressão excessiva e prolongada sobre a mucosa esofágica pode levar a complicações graves, como isquemia, necrose e perfuração esofágica.
Devido ao alto risco de aspiração do conteúdo gástrico e sangue, além da obstrução de via aérea por deslocamento do balão, a intubação orotraqueal protetiva é mandatória antes do procedimento em pacientes com sangramento volumoso ou rebaixamento do nível de consciência.
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