Balanço Hídrico Pós-Operatório: Cálculo e Manejo

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 68 anos, aposentada, 60Kg, desnutrida grave em decorrência de carcinoma hepatocelular, foi submetida a hepatectomia parcial. No perioperatório houve sangramento importante, sendo necessária a administração de 1.200mL de concentrado de hemácias e 1.200 mL de solução glicofisiológica. A diurese ao final da cirurgia foi de 500mL. O balanço hídrico foi considerado zerado pelo anestesista. Na enfermaria, na manhã do dia seguinte (cerca de 12 horas de PO), após ter recebido 1.500mL de soro glicosado isotônico a 5%, o médico residente constatou diurese de 300mL e que a drenagem pelo dreno perihepático era serohemorrágica em quantidade íntima. A prescrição MAIS ADEQUADA para essa paciente deve considerar que:

Alternativas

  1. A) a oferta de líquidos para as próximas 24 horas deve ser de aproximadamente 1.100ml.
  2. B) a oferta de potássio deve ser de 60meq, equitativamente dividida no esquema de soro.
  3. C) a quantidade de sódio deve ser incrementada para compensar a desnutrição e a oligúria.
  4. D) há indicação de se administrar furosemida em bolus.

Pérola Clínica

PO: Necessidades hídricas = basais + perdas. Oligúria não é sempre indicação de furosemida.

Resumo-Chave

No pós-operatório, a oferta de líquidos deve considerar as necessidades basais (30-35 mL/kg/dia ou 1500-2000 mL/dia para adultos), perdas insensíveis e perdas adicionais (drenos, febre). A oligúria no PO imediato é comum devido à resposta ao estresse cirúrgico (↑ ADH, ↑ aldosterona) e nem sempre indica desidratação ou necessidade de diuréticos.

Contexto Educacional

O manejo hídrico no pós-operatório é um pilar fundamental da recuperação do paciente cirúrgico, exigindo um entendimento aprofundado da fisiologia e das alterações metabólicas induzidas pelo estresse cirúrgico. Pacientes submetidos a grandes cirurgias, como a hepatectomia parcial, e com comorbidades como desnutrição grave, apresentam um risco aumentado de desequilíbrios hidroeletrolíticos, tornando a avaliação e a prescrição de fluidos ainda mais críticas. As necessidades hídricas pós-operatórias devem considerar as necessidades basais, as perdas insensíveis (pele, respiração) e as perdas adicionais (drenos, sangramento, febre, vômitos). A resposta ao estresse cirúrgico, mediada por hormônios como ADH e aldosterona, leva à retenção de água e sódio, o que pode mascarar uma hipovolemia ou predispor à sobrecarga hídrica. A oligúria, frequentemente observada, deve ser cuidadosamente avaliada para determinar se é fisiológica ou indicativa de hipovolemia ou lesão renal aguda. Uma prescrição adequada de fluidos deve ser individualizada, monitorando de perto o balanço hídrico, eletrólitos, função renal e sinais clínicos de volemia. A oferta de potássio e sódio deve ser ajustada conforme os níveis séricos e as perdas. A administração de diuréticos como a furosemida deve ser reservada para casos de sobrecarga hídrica comprovada ou falha renal, após a correção de qualquer hipovolemia subjacente, para evitar complicações graves.

Perguntas Frequentes

Como calcular as necessidades hídricas basais em adultos no pós-operatório?

As necessidades hídricas basais em adultos podem ser estimadas em 30-35 mL/kg/dia ou aproximadamente 1500-2000 mL/dia. No pós-operatório, deve-se somar a isso as perdas insensíveis (cerca de 500-1000 mL/dia) e perdas adicionais por drenos, febre ou vômitos.

Por que a oligúria é comum no pós-operatório imediato?

A oligúria no pós-operatório imediato é uma resposta fisiológica ao estresse cirúrgico, que leva ao aumento da secreção de hormônio antidiurético (ADH) e aldosterona. Isso resulta em retenção de água e sódio, concentrando a urina e diminuindo seu volume, mesmo em pacientes normovolêmicos.

Quando a administração de furosemida é indicada para oligúria pós-operatória?

A furosemida só é indicada para oligúria pós-operatória após a exclusão de hipovolemia e quando há sinais de sobrecarga hídrica ou falha renal aguda estabelecida. A administração indiscriminada pode agravar a hipovolemia e piorar a função renal.

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