SISE-SUS/TO - Sistema de Saúde do Tocantins — Prova 2020
Um lactente de 9 meses, do sexo masculino, é atendido no CSC para consulta de puericultura. O cartão da criança mostra marcações de peso/idade entre os percentis 3 e 10 aos dois meses, quatro meses e 6 meses, com inclinação ascendente da curva ponderal. Ao pesar a criança, durante a consulta, o médico observa que a posição do peso se mantém entre p3 e p10 e que a inclinação da curva é horizontal. A mãe refere que a criança é ""difícil para comer"". Qual a conduta a inicial?
Lactente com curva ponderal horizontal e dificuldade alimentar → 1ª conduta: orientações alimentares e reavaliação breve.
Um lactente de 9 meses com curva ponderal que se horizontaliza, após um período de ganho adequado, e queixas de dificuldade alimentar, sugere uma questão de ingestão calórica. A conduta inicial mais apropriada é otimizar a alimentação complementar com orientações detalhadas e reavaliar em um curto período para monitorar a resposta.
O acompanhamento do crescimento e desenvolvimento na puericultura é um pilar fundamental da pediatria. A avaliação da curva ponderal é essencial para identificar precocemente problemas nutricionais. Um lactente de 9 meses com a curva ponderal entre os percentis 3 e 10, que antes era ascendente e agora se horizontaliza, indica uma estagnação no ganho de peso. Essa situação, associada à queixa materna de dificuldade alimentar, aponta para uma ingestão calórica insuficiente, que pode ser corrigida com intervenções nutricionais. A fisiopatologia do baixo ganho ponderal pode ser multifatorial, mas em casos como este, sem outros sinais de alarme, a causa mais provável é a inadequação da alimentação complementar. Aos 9 meses, a criança já deve estar recebendo uma variedade de alimentos sólidos, além do leite materno ou fórmula. A estagnação da curva pode indicar que a quantidade, a qualidade ou a forma de oferta dos alimentos não estão sendo suficientes. O diagnóstico é clínico, baseado na análise da curva de crescimento e na história alimentar. A conduta inicial é sempre otimizar a alimentação. Isso envolve fornecer orientações detalhadas aos pais sobre a introdução de alimentos, a consistência, a frequência e a quantidade das refeições, além de estratégias para lidar com a seletividade alimentar. A reavaliação em 15 dias é crucial para verificar a eficácia das intervenções. Se não houver melhora, ou se surgirem outros sinais de alerta, uma investigação mais aprofundada com exames complementares e/ou encaminhamento para especialistas (nutricionista, gastroenterologista pediátrico) pode ser necessária para descartar causas orgânicas.
Sinais de alerta incluem perda de peso, desvio acentuado da curva de crescimento para baixo, sinais de desnutrição grave, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, vômitos persistentes, diarreia crônica ou outros sintomas sistêmicos que sugiram doença subjacente.
As orientações devem focar na oferta de alimentos variados e nutritivos, em horários regulares, em ambiente tranquilo, respeitando os sinais de fome e saciedade da criança, evitando distrações e não forçando a alimentação. É importante garantir a oferta de ferro e zinco, e evitar alimentos ultraprocessados.
A reavaliação em um curto período (15 dias) permite monitorar a resposta às orientações alimentares, verificar se houve melhora no ganho de peso e na aceitação dos alimentos, e decidir sobre a necessidade de intervenções adicionais, como exames ou encaminhamentos, caso não haja melhora.
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