UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2022
Mãe de um adolescente do sexo masculino, 14 anos, procura atendimento pediátrico preocupada com o seu crescimento, pois sempre foi o mais baixo da turma. Anamnese: pais são baixos, não sabem suas alturas. HPP: nenhuma patologia prévia. Menarca materna: 11 anos. Exame físico: aparência de 11 anos, altura e peso entre os escores z -2 e z -3, Tanner: G1P2, altura-alvo: entre os escores z -2 e z -3. Idade óssea: compatível com 11 anos. A hipótese diagnóstica é:
Baixa estatura + pais baixos + idade óssea atrasada + puberdade atrasada = Baixa estatura genética + constitucional.
A baixa estatura genética e o atraso constitucional do crescimento e puberdade são as causas mais comuns de baixa estatura, representando variantes da normalidade. A combinação de pais baixos (sugerindo componente genético) com atraso na idade óssea e puberdade (sugerindo componente constitucional) é um achado clássico que indica um prognóstico de crescimento normal, porém tardio.
A baixa estatura é uma das principais queixas em ambulatórios de Pediatria e Endocrinologia Pediátrica. É definida como altura abaixo do percentil 3 ou -2 escores Z para idade e sexo. É crucial diferenciar as variantes da normalidade (baixa estatura genética e atraso constitucional do crescimento e puberdade) das causas patológicas, que exigem investigação e tratamento específicos. A baixa estatura genética é caracterizada por pais baixos, altura da criança dentro da altura-alvo familiar e idade óssea compatível com a idade cronológica. O atraso constitucional do crescimento e puberdade é a causa mais comum de baixa estatura transitória, afetando mais meninos. Caracteriza-se por uma desaceleração do crescimento nos primeiros anos de vida, seguida por uma velocidade de crescimento normal para a idade óssea, mas com atraso no início da puberdade e na maturação óssea (idade óssea atrasada em relação à cronológica). Esses indivíduos atingirão uma altura final normal, mas mais tarde que seus pares. A combinação de baixa estatura genética e constitucional é frequente, onde o paciente herda a tendência a ser baixo e também apresenta um atraso na maturação. A avaliação diagnóstica inclui anamnese detalhada (história familiar, padrão de crescimento, puberdade), exame físico completo, cálculo da altura-alvo e determinação da idade óssea. Exames laboratoriais são solicitados para descartar causas patológicas (ex: hipotireoidismo, doença celíaca, deficiência de GH). O manejo das variantes da normalidade é tranquilizar a família e monitorar o crescimento, explicando que o adolescente atingirá sua altura final, apenas em um tempo mais prolongado.
As variantes da normalidade geralmente apresentam velocidade de crescimento normal para a idade óssea, ausência de sinais de doença crônica, exames laboratoriais normais e, no caso constitucional, atraso da idade óssea e da puberdade. A baixa estatura patológica cursa com velocidade de crescimento reduzida para a idade cronológica e/ou sinais de doença subjacente.
A idade óssea é uma medida do grau de maturação esquelética, avaliada por radiografia da mão e punho esquerdos. Em casos de atraso constitucional, a idade óssea é menor que a idade cronológica, indicando que o adolescente ainda tem potencial de crescimento por mais tempo.
A altura-alvo é calculada com base na altura dos pais e indica o potencial genético de estatura da criança. Para meninos: (altura da mãe + altura do pai + 13 cm) / 2. Para meninas: (altura da mãe + altura do pai - 13 cm) / 2. É um parâmetro importante para comparar com a estatura atual e o prognóstico de crescimento.
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